O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) divulgou os resultados da quarta edição do Exame do Cremesp, que avalia o desempenho dos estudantes do sexto ano de Medicina. Entrevistei o coordenador da pesquisa, Bráulio Luna Filho.
P – Porque o ensino de medicina está tão ruim no Brasil?
BL – O índice de reprovação praticamente dobrou desde o primeiro exame, passando de 31% em 2005 para 61% em 2008, um crescimento de 97% em quatro anos. Deveria haver ao longo do curso de Medicina, avaliações periódicas dos acadêmicos (realizadas pela própria instituição de ensino) que permitissem concluir se ao final dos seis anos de curso, o médico recém-formado está apto a cuidar de seus pacientes. “Lamentavelmente nenhuma escola médica no Estado de São Paulo faz esta avaliação longitudinal, confirmando a real necessidade do acompanhamento do desempenho acadêmico pelas instituições públicas e privadas no Estado. Os sextanistas e recém-formados que participam do exame do Cremesp reconhecem a importância da iniciativa e buscam um diferencial pessoal e profissional para a boa prática da Medicina. Tivemos exemplos de ignorância no atendimento emergencial para traumatismos e o que fazer quando a criança tem dor, na área de pediatria.