Colunistas

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Que se lê pouco , em nosso País, não há menor dúvida.
 
(*)    Nelson Valente                                        

O assunto é recorrente e retorna, quando estamos às voltas com a revolução da educação, discutindo sua gênese e os seus objetivos. Na educação superior, uma das provas mais importantes e decisivas do exame vestibular é a redação, primeira manifestação dos educadores no sentido de acabar com a prevalência das provas totalmente baseadas na múltipla escolha ( as famigeradas cruzinhas).                                  

A conclusão é óbvia: sem leitura, como escrever adequadamente? O primeiro passo é mesmo a entrega de voluptuosa aos livros, sobretudo os nossos clássicos, sem esquecer os jornais e revistas também podem ser fundamentais.                                  

Criar o hábito ( ou gosto) pela leitura é um primeiro passo que depende basicamente de pais e professores. Há uma idade para isso, que infelizmente para os calouros não coincide com os seus 17 ou 18 anos. Começa antes, na altura ainda do ensino fundamental. Depois, é só alimentar a cabeça de bons produtos, a fim de que persista o interesse.                                  

No vestibular, em geral, caem temas da atualidade. O penta do Brasil no futebol, as forças armadas no combate ao crime, o avanço da Aids, os salários dos professores, a busca da profissão ou a esperança que cerca a vinda de um novo presidente da República. Quem estiver devidamente preparado, com a base que é fornecido por uma leitura constante, não terá dificuldade de desenvolver o tema da prova. Terá desenvoltura e – o que é mais importante – uma riqueza vocabular essencial. A capacidade de expressão vem daí.                                

Uma saudável epidemia tomou conta da imprensa brasileira. Os grandes jornais publicam alentadas seções de valorização da língua portuguesa, que alguns até ajudam  a abastardar com sua crônica e indesculpável falta de cuidado. Quando sai na manchete do jornal que “Ronaldinho marca gol de placa na Espanha”, não há quem se choque com o lamentável cacófato antes que a página seja definitiva impressa?                                

Em primeiro lugar, pode-se registrar o fato, facilmente comprovável, de que nunca se escreveu e falou tão mal o idioma de Ruy Barbosa e Jânio Quadros. Culpa, quem sabe, da deterioração do nosso sistema de educação básica.                                 Em segundo, o pouco apreço que devotamos ao gosto pela leitura.                                

Em terceiro lugar, para não ir muito longe, podemos citar a “contribuição” dos meios televisivos. Donos de uma força descomunal, salvo as exceções de praxe, como os programas gerados pela TV Cultura de São Paulo, praticam um magistral desserviço à educação brasileira. Comunicadores falam mal, atores não se expressam adequadamente, dublagens são feitas de forma chula, programas infantis deseducam  – o que se pode esperar desse triste universo?                               

Sabe-se que temos hoje 19 milhões de analfabetos, 20 milhões de semi-analfabetos e 40 milhões de analfabetos funcionais – o iletrismo ( são aqueles que aprenderam a ler e não leem) . Pela definição da Unesco, “iletrado pode ser  o que aprendeu a ler e a escrever, mas perdeu a prática, ao ponto de não poder mais compreender um texto simples relacionado à sua vida cotidiana”. É o fenômeno do iletrismo, que se distingue do analfabetismo, que é a não-aprendizagem da leitura e da escrita.                             

Que se lê pouco , em nosso País, não há menor dúvida. Nossa média é de menos de dois livros por habitante. Nos países desenvolvidos é de 6 ou 7, como acontece na França e na Alemanha. Temos uma longa caminhada nessa área, até chegar, por exemplo, perto do que ocorre nos Estados Unidos, onde o consumo “per capita” de livros é de 10 por ano. Será que um dia chegaremos lá ?                           

 O curioso é que, vez por outra, aparece algum vereador interessado em ensinar às nossas crianças a biografia dos homenageados, o que, aliás, é uma boa ideia. Pelo menos um resumo poderia ser colocado na primeira placa de rua. Se isso é de grande utilidade, mais importante ainda é escrever os nomes de maneira correta. Respeitar a nossa língua é uma forma de fazer educação.                            

Concluindo, o brasileiro está oco. Não é só a ideia da religião, da crença em Deus ou em determinada igreja. Mas está ligado ao pensamento abstrato, à filosofia, ao homem pensando em sua sorte, de onde veio, para onde vai. Essa carência prejudica a cultura geral do indivíduo, porque o homem é essencialmente linguagem. O brasileiro está oco com a língua portuguesa.                            

Se o jovem não se der bem no vestibular, não há de ser nada. De toda maneira, terá lido alguns dos nossos melhores livros. O que é sempre saudável.                                                       

Portanto, há um enorme desafio para reverter esse quadro, exigindo maior atenção das pessoas responsáveis deste País.  

 (*)       é professor universitário, jornalista e escritor

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Os Outros

 FÁBIO SINEGAGLIA

O título da minha coluna de hoje é o nome de uma música do conjunto Kid Abelha, e um dos versos desta música é “Depois de você, os outros são os outros e só”, esse verso vale para muitas coisas, você pode ler esse verso e pensar em um ex-relacionamento, em uma pessoa que passou por sua vida e muitas outras coisas. Mas porque estou escrevendo isso em uma coluna esportiva? A resposta é simples: Pois essa frase também vale para os dirigentes do futebol brasileiro. Pois depois de Paulo Machado de Carvalho, os outros foram os outros e só.

Paulo Machado de Carvalho (1901 – 1992) tentou ensinar o futebol brasileiro a comandar o futebol, pobre Carvalho, você fez tanto para o nosso futebol porém não deixou herdeiros em sua capacidade e amor pelo esporte. A carreira do dirigente começou como vice-presidente do São Paulo da Floresta em 1934, posteriormente foi dirigente do São Paulo passando por várias funções na diretoria da equipe. E o seu ponto máximo foi chefiar as delegações campeãs mundiais em 1958 e 1962 o que lhe valeu o apelido de “Marechal da Vitória”.

Depois de Paulo Machado, tivemos nomes como: Vicente Matheus, Eurico Miranda, Nelson Duque, Marcelo Teixeira, Nabi Abi Chedid, Marcelo Portugal entre outros… Esses e todos os outros ficam longe da capacidade do “Marechal da Vitória”.

Quase duas décadas depois do falecimento de Paulo Machado de Carvalho, o Palmeiras elegeu para seu presidente o Sr. Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, com a promessa de ser o diferente. Com um discurso acadêmico e diferenciado, a carreira de Belluzzo fora do esporte é para causar inveja para qualquer um, pois formou-se em Direito pela USP e    também estudou  Ciências Sociais na mesma faculdade. Ingressou no curso de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico e depois foi professor colaborador na UNICAMP onde doutorou-se em 1975 e onde tornou-se professor-titular. Sem falar na carreira econômica – política com muito destaque e prestigio.

Porém dentro do futebol Belluzzo é uma tragédia, um acadêmico sem muita noção de sua responsabilidade e função no esporte, com a queda vertiginosa do Palmeiras no Campeonato Brasileiro Belluzzo mostrou quem realmente é ! Primeiro foi a ameaça ao árbitro Simon, quando o dirigente pregou a violência contra o arbitro do Rio Grande do Sul, e finalmente essa semana surgiu na Internet um vídeo no qual o dirigente diz “Vamos Matar os bambins”, a frase foi dita em uma festa organizada por uma das “torcidas organizadas” do Palmeiras. Então ficam quatro questões: As torcidas organizadas servem para o que? As torcidas organizadas não acabaram? O que o “presidente” do Palmeiras estava fazendo lá ? Qual é a intenção de um “presidente” berrar repedidas vezes “Vamos Matar os bambins”?. As respostas para essas quatro perguntas eu não sei, só sei que o Sr. Belluzzo se perdeu no cargo de Presidente, deixou em todas as ocasiões o coração falar mais alto do que a razão, a ao pregar violência contra Simon e dizer “Vamos Matar os bambins” ele passa a ser co-responsável por qualquer ato de violência dos torcedores do Palmeiras. E meu caro Belluzzo, ser um Paulo Machado de Carvalho é difícil, ser um torcedor qualquer é bem mais fácil. Só que neste misto de presidente-torcedor o Palmeiras perdeu o título e pode ficar fora da Libertadores. E o pior para você: O Simon vai para Copa e o São Paulo deve ser o campeão brasileiro.

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Desconhecer as línguas sempre produz a intolerância

(*)  Nelson Valente

Agora, a unificação ortográfica tornou-se viável, de certa forma respeitando-se ainda o critério fonético (ou da pronúncia) em que se baseia na ortografia portuguesa. Mas desde logo um fato que nos tranquiliza: morreu o trema em palavras portuguesas ou aportuguesadas. Era um sinalzinho que não servia mesmo para nada.

Cabe-nos denunciar os maus uso da língua nessas formas de comunicação, para que seus erros não venham a ser motivo de vergonha para nós. Entre as incorreções que destoam no uso da língua, são frequentes pequenos descuidos, até perdoáveis, mas há casos de barbarismo contra a pureza da língua nos aspectos sintáticos, regenciais, ortográficos, sem falarmos de troca tão comum de tratamento, como também de organização ilógica de ideias, o que acarreta, frequentemente, ambiguidades e interpretações errôneas de pensamento. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores, professores e da mídia.

Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. Todas as línguas estão repletas de palavras estrangeiras que foram naturalizadas. Os editores, os donos de televisão, jornais e os críticos literários não entenderam que houve uma revolução espiritual, que o nível geral subiu. Comunidade Linguística da Língua Portuguesa: em que se luta para que o português seja reconhecido também como língua oficial da ONU; em que o português vai alcançando o 4º lugar entre as línguas mais falada no planeta. Não podemos deixar que ela se desfigure e se deturpe de maneira tão galopante, como está acontecendo nos meios de comunicação. Em geral, o erro linguístico depõe contra quem o cometeu.

Convivemos neste século (desde 1911) com duas ortografias oficiais da língua portuguesa, o que sempre foi prejudicial. Aí pode estar a razão de não ter sido o português acolhido, na família ONU, como língua oficial. Em 1931 estabeleceu-se o primeiro acordo ortográfico em ter Brasil e Portugal, sem efeitos práticos. A convenção de 1943 e depois as de 45, 71 e 75 mantiveram sérias divergências. Portugal rejeitou o acordo de 86, com a participação de toda a comunidade lusófona, mostrando que a imposição de uma unificação ortográfica absoluta jamais seria aceita.

Cada língua propõe um modelo de mundo diferente. Por isso não é possível tentar instituir uma língua universal. É preciso, portanto, tentar passar de uma língua para outra. Eu sou a favor do polilinguísmo. A diversidade das línguas é uma riqueza. Esse é um fato indiscutível, ligado, provavelmente à natureza humana. Durante séculos, não desfrutamos desse tesouro, porque sempre houve uma língua que predominava sobre as demais: o grego, o latim, o francês, o inglês. Creio que, dentro de uma geração, teremos uma classe dirigente bilíngue. Desconhecer as línguas sempre produz a intolerância. Conhecê-las, porém, não é garantia de tolerância. Nos Bálcãs, os sérvios e os croatas entendem-se, e contudo… No passado, os que se revoltavam mais ferozmente contra o colonizador haviam estudado na metrópole. Pode-se massacrar uma população conhecendo-se perfeitamente sua língua e sua cultura.

O conhecimento torna-se, então, um elemento de irritação ou de rejeição, do mesmo modo que um marido e sua mulher podem acabar brigando cada vez mais à medida que vão convivendo. A língua tem razões que a própria razão desconhece. Minha filha, que é bilíngue, pediu à sua mãe uma noite dessas: “Mamãe, conte-me uma Geschichte.” Para ela, Geschichte é o conto, a história de Chapeuzinho Vermelho. Para nós, é História em 12 volumes.

Os franceses fazem de conta que brigam com o inglês, mas têm medo mesmo é do alemão. Desde a queda de Berlim, a Europa do Leste transformou-se num bolsão de poliglotismo alemão e há muita probabilidade de que o alemão se imponha na Europa! Nunca, no mundo, alguém conseguiu impor a língua estrangeira dominante.

Os romanos foram mestres do mundo, mas seus eruditos conversavam em grego entre si. O latim se tornou a língua europeia quando o império romano desmoronou. No tempo de Montaigne, o italiano era o vetor da cultura. Depois, durante três séculos, o francês foi a língua da diplomacia. Por que o inglês, hoje? Porque os Estados Unidos ganharam a guerra e porque é mais fácil falar mal o inglês do que falar mal o francês ou o alemão. O que não impede que os franceses falem de uma “colonização” de sua língua pelo inglês.

O filólogo Antônio Houaiss costuma dizer que “a língua portuguesa tem enorme vitalidade e cresce toda noite”. Quando dirigiu os trabalhos de montagem e edição do Vocabulário Ortográfico, uma obrigação da Academia Brasileira de Letras, totalizou cerca de 350 mil verbetes, mas hoje desconfia que o número possa ter subido para 400 mil.

O acordo ortográfico de unificação da nossa língua não passa de 2% desse total, estaremos diante de aproximadamente oito mil vocábulos para serem apreendidos pelos que usam o idioma como ferramenta de trabalho, como é o caso de professores, escritores e jornalistas.

Segundo o acadêmico, Arnaldo Niskier: “É preciso, porém, ainda mais agora com a decadência do ensino e a enormidade de erros veiculados pelos meios de comunicação, distinguir o que pode ser (ou vir a ser) que agride o vernáculo, transfigurando-o, impregnando-o de palavras e expressões alienígenas, absolutamente dispensáveis, tolos modismos e até mesmo erros crassos”. A unificação chegou em boa hora.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor.

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Pontos Corridos ou Pontos Parados

 Fábio Sinegaglia

O Campeonato Brasileiro de futebol criado em 1971 passou 32 anos até criar uma forma de disputa que permanecesse fixa por várias temporadas, isso ocorreu a partir de 2003 quando se estabeleceu à disputa por meio dos pontos corridos, e essa fórmula está sendo aplicada pela sétima vez consecutiva em nosso futebol, algo inédito até então, pois no período entre 1971 a 2002 muito se mudou na maneira de se disputar o principal campeonato do futebol nacional.

Mas a questão que impera nesta temporada é se o campeão será conhecido por meio dos pontos corridos ou por pontos parados. Pois é impressionante como o atual líder do campeonato, o Palmeiras, e o ex-vice – São Paulo, estão inoperantes nesta competição, ou seja, estão parados na pontuação da competição. O time alve-verde de Parque Antártica está a três partidas sem marcar nenhum ponto (e sem marcar nenhum gol), são derrotas inesperadas: para o Náutico, o Flamengo e o Santo André. Já o tricolor do Morumbi, ex-vice da competição, atual quarto colocado, nos últimos três compromissos obteve apenas um ponto, oriundo do empate contra o Coritiba. Esses revezes fizeram o time perder duas posições na tabela.

E para o futebol do Estado de São Paulo a certeza do sexto título brasileiro consecutivo virou dúvida, pois Atlético, Internacional e Flamengo estão na briga e já com reais possibilidades de quebrar a hegemonia dos times paulistas.

O atual líder Palmeiras já realizou 31 partidas na competição, ou seja, foram 93 pontos disputados, o time conquistou apenas 54, isto é, contabiliza um aproveitamento de 58%. Índice muito baixo para ser campeão se compararmos com os últimos campeões nacionais que obtiveram os seguintes índices: (2003 – Cruzeiro – 72%), (2004 – Santos – 64%), (2005 – Corinthians – 64%), (2006 – São Paulo – 68%), (2007 – São Paulo – 68%) e (2008 – São Paulo – 66%). O Palmeiras que atualmente é o líder do campeonato e tem essa condição garantida até o final de 31º rodada, pode atingir, no máximo, 75 pontos neste campeonato, ou seja, se o time vencer todos os jogos a partir da 32º rodada terá ao final da competição 65,7% dos pontos ganhos, índice inferior aos dos três últimos títulos do São Paulo e muito abaixo do que fez o Cruzeiro em 2003.

Portanto teremos em 2009 um Campeão brasileiro dos pontos perdidos, ou dos pontos parados, a desculpa que o campeonato está nivelado não vale, pois os times que estão na parte de baixo da tabela são ruins, tal como eram os times que estavam nesta faixa nos últimos anos. Vivemos um campeonato fraco em 2009 sem o encanto dos últimos anos, mas que isso não se torne motivo para outra mudança na fórmula da competição, a emoção está nos times e não na maneira em que o campeonato é disputado, pelo menos nos pontos corridos (ou pontos parados) o campeão recebe o título por mérito, ou por demérito dos adversários. 

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Visão de São Paulo e do Brasil

 Fábio Sinegaglia

F1Na segunda metade do mês de Setembro tivemos a confirmação que os Jogos Olímpicos de 2016 serão no Brasil, essa competição soma-se a Copa do Mundo de 2014 que também será em solo brasileiro. Pois bem, definitivamente viramos o País do esporte. E se não bastasse a Fórmula 1 tem sua etapa brasileira desde os anos 70, e a cidade de São Paulo – no Autódromo de Interlagos, que havia sido a anfitriã dos GPs Brasil nos anos 70, voltou a sediar a etapa em 1990 e o fato é repetido todos os anos, e no próximo final de semana o Circo da Fórmula 1 terá novamente a sua tenda montada em São Paulo.

Muito mais do que um esporte, a Fórmula 1 é um grande balcão de negócios, onde muitos milhões de dólares são investidos todos os anos na categoria, e muitos outros dólares serão gastos por turistas na capital paulista.

As equipes se deslocam ao Brasil com um verdadeiro batalhão de pessoas, algumas destas pessoas para trabalhar nos carros, outras para fazer negócios e também temos os convidados especiais das equipes, além é claro dos pilotos.

Para os seus convidados e funcionários a equipe Red Bull publicou no último dia 9 de outubro, um verdadeiro guia a sobrevivência na Selva de Pedra, ou seja, um  manual de orientações para os estrangeiros que irão visitar São Paulo em função do GP Brasil de Fórmula 1. O texto do guia é um verdadeiro Tapa da Cara em todos os brasileiros e em todos os Paulistanos. O informativo começa com a seguinte afirmação “O Brasil é como uma droga que a F-1 não se cansa” o texto da equipe continua com as suas opiniões e afirma

“Com ótima comida, poderosos drinques, música intoxicante (mas não tão intoxicante quanto a caipirinha) e gente bonita, como não gostar?”, em outras palavras: apesar de tudo da para se divertir um pouco. A respeito das coisas boas que a cidade de São Paulo tem para oferecer a equipe Red Bull volta a nos comparar com as drogas e afirma “mas como toda droga, existem os momentos que a melhor coisa é dizer não”.

E não pára por ai: colocando uma série de perguntas em que a resposta sempre deve ser “não”. Essas perguntas são: “Esse Rolex é original?”, “gostaria de sua oitava caipirinha?”, “tenho de parar no farol vermelho?”, “gostaria de encontrar uma garota muito bonita que eu conheço?”, “ela é realmente uma garota?”, “quer mais carne?”, “posso estacionar seu carro?”, “será que minha mulher vai acreditar que esse fio-dental na minha mala é um presente para ela?”, entre outras. Ou melhor, fica claro três coisas: O medo, a ironia e o turismo sexual por traz do evento.

Ou seja, ainda somos vitimas de preconceitos oriundos de outras partes do mundo, não podemos entrar nesse verdadeiro OBA-OBA que tomou conta de todos os envolvidos na escolha do Brasil para ser sede dos Jogos de 2016 e da Copa do Mundo de 2014, a imprensa deve ser vigilante dos desmandos feitos pelos órgãos públicos, com as coisas do esportes, e não entrar na onda de que aqui está tudo certo e aqui se vive na nova capital do Esporte Mundial, e não aplaudir as escolhas pensando em seus próprios interesses. 

E em relação à equipe Red Bull tenho uma sugestão, em 2010 não venha para cá. Certamente a corrida em Interlagos ocorrerá com vocês ou sem vocês. A Fórmula 1 não vai acabar sem essa equipe e também não vai acabar sem o GP do Brasil, ou seja, a equipe Red Bull e o GP Brasileiro, são iguais, se tudo aqui é uma droga, tudo dessa equipe é igual.

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OS PROFESSORES

FOTO LOPOMOMÁRIO LOPOMO

Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira professora. Se bem que já esta fazendo 62 anos que entrei no primeiro ano da escola. Era o ano de 1947. E quando todos os alunos se levantavam, era porque dona Lidia estava entrando na sala de aula.

Meneou a cabeça, em sentido vertical, nos cumprimentando e foi dizendo: – Eu sou a professora Lidia e a partir de hoje a segunda mãe de vocês, nesse espaço de tempo durante os dias de aula, até o final do ano. Sim porque a professora é aquela que ajuda vocês aprender algo na vida.

É bem verdade que uma professora nunca substitui uma mãe, mesmo porque eu fico com vocês apenas cinco horas por dia e as vossas mães o restante do dia.
Dona Lidia era uma negra de estatura mediana magra, voz mansa uma doçura de mulher, tinha um modo diferente da minha mãe no jeito de me tratar. Na verdade a maneira dela nos tratar era mais agradável do que todas as mães. Ouvi menino dizer certa vez, essa é mãe que eu queria ter.

Sabe mãe nos conhece desde que nascemos, portanto nos trata com “casca e tudo” e o tempo que a professora ficava conosco era bem pouco o que nossas mães ficavam. Também as mal criações que todos com a mãe, jamais fariam com a professora.     A sessenta e dois anos atrás, todos nos meleques e meninas saiam de casa com a recomendação de: Vê lá heim, respeite a professora.

Ai de você se eu souber que desrespeitou a mestra. Sim mestra, diferente de hoje que a professora é chamada de vagabunda. Uma professora outro dia estava chorando porque chamou a mãe de um aluno para dizer que ele não estava bem na escola.

A mulher foi muito brava e disse: Ei sua vagabunda, pensa que eu não tenho o que fazer em casa? A senhora ganha é para isso, ensinar o garoto. Se ele esta mal é porque vocês todos também estão, e nos não temos culpa se o governo paga pouco para vocês.

No meu tempo de escola uma professora do grupo Aristides de Castro, Rua Joaquim Floriano Itaim Bibi, (só tinha professoras). Na escola só havia dois homens. Seu Aurelio diretor, dizem que naquele tempo a mulher não servia para ser diretora. E o outro homem era seu Fonseca que tomava conta do portão e batia o sino de entrada e saída da escola.

Mas como ia dizer naquele tempo a professora era mais sobrecarregada do que as professoras de hoje, ela dava aula desde as sete horas até o meio dia e todas as matérias era ela mesmo que dava. Historia, aritmética, ciências e geografia e leitura.
Não tínhamos provas de bimestrais, Era um exame único no final do. Tínhamos que estudar as matérias do ano todo. Tinha o exame de leitura, a chamada prova oral. Tudo num único dia.                                                     

 Era uma época de muita rigidez por parte das professoras e a régua cantava feio na cabeça de muito moleque. O pior é que os pais diziam da reguada mesmo, não tenha dó. Bom pelo menos o meu mandava arria o pau.
Quando era a professora tudo bem.

O pior é quando a servente que tinha ordem de ficar olhando a turma no pátio da escola, é que fazia às vezes de professora. Deitar a mão na cara de menino era só querer. E se caso fossemos reclamar em casa apanhava mais ainda.

Eu pelo menos se tivesse que apanhar ficava por conta da escola. Um dia um menino perdeu o guarda chuva. E todos ficaram a procurar. Quem achou foi eu, Alguem não sei por que, disse a faxineira dona Iracema, que eu tinha roubado o guarda chuva, e depois entregue.

Pronto. Dona Iracema achou que tinha o mesmo direito de me punir como se uma professora fosse. Enfiou-me num quartinho debaixo da escada que ia para a parte de cima, sem luz, e com aquele esqueleto das aulas de ciências. Só sei que sai de lá por perto do meio dia e na chamada como não disse presente foi anotada falta.

Quando a porta foi aberta fui à sala e pedi pelo amor de Deus que não fosse anotada a minha falta senão eu levaria uma surra do meu pai. Naquele tempo os pais viam até com lupa se fosse necessário o boletim mensal.

A escola dos anos 1940-50 era somente escola publica.  As poucas escolas particulares que tínhamos, era para os ricos. A única escola particular que tinha vagas gratuitas era o Dante Alighieri para filhos de imigrantes italianos.

Os professores hoje talvez não sejam tão bem preparados como os do meu tempo. Mas sofrem muito mais. Isso porque os pais de hoje, não são iguais os de antigamente. A mulher não trabalhava então tinham tempo de cobrar e ainda ajudar os filhos fazer a lição de casa.

Hoje se por acaso a criança tiver lição de casa a fazer, não tem a mãe para ajudar porque ela ajuda é o marido no orçamento da casa trabalhando. À noite estão todos cansados e a noite é curta, Quando muito da para assistir uma capitulo de novela. Sábado e domingo não dá. Tem futebol e shopping que são prioridades de lazer.

A verdade é que a educação esta num plano secundário. A criança fica um terço do dia na escola os outros dois terços são da família, e como a família não esta em casa, as crianças ficam na rua. No meu tempo também íamos à rua, mas sempre com as mães vigilantes.
O despreparo dos professores devido o descaso do estado que não investe na educação dando um salário digno para que o professor tenha que trabalhar em duas escolas durante o dia e fazer extra à noite, faz com que o professor não tenha tempo de se reciclar.

Então fica aquele negocio por parte da burrice geral. Para que estudar, se temos um presidente da republica que quando muito tem o curso primário e nunca gostou de ler?
O despreparo vem da falta de informação, justamente pela falta de tempo em acompanhar pelos jornais o que acontece no cotidiano, e falta de tempo para assistiu os tele-jornais.

Um aluno teve como missão fazer um trabalho sobre favela. Em seu texto disse que favela era um local que se faziam barracos um em cima do outro. A professora reprovou o texto, O que é isso, fazer um barraco em cima do outro, Você está louco?
O menino triste disse ao pai que a professora reprovou seu trabalho por esse motivo. No que o pai lhe perguntou: Filho onde foi que você ouviu que na favela se faz um barraco em cima do outro?

– Foi na TV. O locutor disse que por falta de espaço a favela não crescia para os lados e sim para o alto. Então os barracos estavam com dois e até três andares.                                              

O pai fez uma carta e mandou a professora explicando o que o filho queria dizer. A professora chamou o garoto pegou a prova dando com correta a sua descrição. Isso não é falta de informação? 
O que mais se observa nos dias de hoje é o desrespeito que se tem com o professores (as). Quando um pai ou uma mãe tem a coragem de chamar uma professora de vagabunda, o filho e sente na condição de chamá-la de Puta.

Conheço uma professora que toma calmante devido o desrespeito proveniente de pais e alunos. Um dia não muito tempo um aluno sentado bem no meio da sala, abre a mochila tira um revolver 38 e começa a manuseá-lo como se fosse de brincadeira. Pronto.  Aguçou a curiosidade de todos.  Uma roda formou-se a sua volta e ele começou a explicar como funcionava a arma. O tambor era deitado às balas retiradas e recolocadas. A aula por um tempo foi de balística. Depois da volta ao normal ele olha para a professora como a dizer se falar algo já viu!

Em outra oportunidade o mesmo aluno estava fora da sala de aula e ao ver que a professora o tinha visto, com a mão fez um sinal como se fosse um revolver, querendo dizer que ela estava na sua alça de mira. Isto aconteceu na zona lesta da cidade de São Paulo.

Com todo o despreparo que as professoras têm hoje em relação ao meu tempo elas e eles os professores são verdadeiros heróis. Hoje 15 de outubro é o seu dia professor. Faz de conta que tudo é alegria.

O POETA E A TUBERCULOSE
 
FOTO VALENTE(*) Nelson Valente

Outro dia, em conversa com o acadêmico Arnaldo Niskier, um dos maiores exemplos de fertilidade literária, falou-se sobre a inspiração de escritores que tiveram a infelicidade de sofrer de tuberculose. É impressionante a relação dos quais padeceram desse mal, a começar por Castro Alves, que morreu antes mesmo de completar 25 anos de idade.

A primeira referência à tuberculose, no continente americano, está nas cartas dos jesuítas, que a reconheciam em si mesmos, como fizeram os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, que para aqui vieram desde 1549.

A tuberculose apareceu em nosso folclore e na nossa literatura – e de tal modo que Tristão de Ataíde, ao analisar a Revolução de 64, escreveu que “os brasileiros se ponham de acordo com o tratamento da nossa atual tuberculose política, pois a terapêutica assenta no emprego de uma penicilina de liberdade e de confiança”.

Durante o romantismo literário, a tuberculose chegou a fazer-se querida, desejada por homens que nela viam a libertação de um mundo que não os satisfazia. A enfermidade tornou-se até elegante, pois dela morriam os poetas e suas amadas. Esse é o lado lírico de uma doença que, lamentavelmente, agora volta ao cenário das discussões públicas.

Os motivos são os mesmos: condições insatisfatórias de higiene, saneamento e uma ausência quase completa de medidas preventivas. Fala-se novamente em desasseio, como se fôssemos voltar aos tempos de Rodrigues Alves, Pereira Passos e Oswaldo Cruz. O fenômeno é cíclico, mas indesculpável.

Fala-se hoje em tuberculose, abstraindo a carga poética, é um verdadeiro absurdo, que pode envergonhar a nossa geração. Ainda há tempo para reagir, com ações preventivas que não devem tardar. O Dia Mundial da Tuberculose é comemorado no dia 24 de março, a data em que, em 1882, Dr. Robert Koch descobriu que a infecção bacteriana se espalhava pelo ar.

O Brasil é o 16º país com maior incidência de tuberculose no mundo, porém, ao contrário do que muitas vezes é divulgado, esta incidência tem caído substancialmente nos últimos anos. Em 1999 a incidência era de 51 casos para cada 100.000 habitante. Em 2007 já havia caído para 38 por 100.000.

Rio de Janeiro e Amazonas são os estados com o maior número de casos (incríveis 73 por 100.000). Portugal é um dos países da Europa com maior taxa, aproximadamente 32 casos por 100.000. Só como comparação, a Alemanha tem 6 casos por 100.000 habitantes.
 
 (*) é professor universitário, jornalista e escritor

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Quais são os direitos das criança em idade escolar?
 
 
FOTO VALENTE(*) Nelson Valente

Quais são os direitos das crianças que, em idade escolar, se encontram fora da escola ? E as outras que, estando na escola, recebem péssimo ensino? As perguntas me foram feitas na Faculdade Cásper Líbero -São Paulo e são pertinentes quando se sabe que o governo inova suas relações com o problema lançado o “Estatuto da Criança e do Adolescente”.

Pode ser mais uma prova de boas intenções ( de que o inferno anda cheio), mas pode ser também o início de um projeto ambicioso e inadiável, que fuja ao lugar-comum das campanhas inócuas e demagógicas. O IBGE divulgou relatório sobre a situação da criança, com base em dados de 2006.

 Há indicadores da tragédia infantil que não devem ser desprezados, como o fato de um terço dos 24 milhões de crianças e jovens entre 10 e 17 anos serem economicamente ativas ( trabalham ou já tiveram intenção de trabalhar) e 22% delas viverem em famílias de somente um salário mínimo. Isso pode explicar de modo claro o abandono prematuro da escola.

Aliás, 14% dos 25 milhões de crianças em idade escolar ( 7 a 14 anos) estão fora da escola. De cada 100 que ingressam na primeira série do ensino fundamental, somente 13 chegam ao final do curso. Há um pequeno aumento no índice de escolaridade, mas o número é ridículo diante das comparações que podem ser feitas com países desenvolvidos. Não basta ir à escola.

Veja-se o número médio de horas/aula. Nas nações pós-industrializadas, opera-se com a escola de base 8 x 8 , ou seja, cada aluno fica 8 horas por dia na escola, durante 280 dias, num período de 8 anos. Isto em termos de educação básica. Fazendo as contas, dá uma carga horária, no momento do aprendizado, de algo em torno de 17.920 horas ( 280×8x8).

O número é comparado com o que ocorre no Brasil: são de 200 dias letivos para 4 horas diárias ( em média) e 8 anos de escolaridade. O total dá 6.400 horas/aula ( 200×4x8). O grevismo, o assembleísmo e o corporativismo sentaram praça nos grandes centros urbanos e o resultado aí está, na falta de cumprimento físico dos calendários escolares, com o consequente rebaixamento dos padrões de ensino.

Por tais números pode-se inferir que nossas crianças recebem 1/3 dos conhecimentos que são ministrados nos países desenvolvidos, o que aprofunda uma diferença hoje abismal. Como seremos uma sociedade competitiva ? De que maneira corrigir isso ? O mundo conhece cerca de 30 mil profissões, a quase totalidade proibida a analfabetos ou subalfabetizados, o que hoje corresponde a uma clientela de 44 milhões de brasileiros.

Se o analfabeto fala e maneja apenas 2.500/3.000 palavras, como exigir o aumento da sua produtividade? De toda a forma, a raiz do problema encontra-se na educação básica e nas possibilidades de ensinar adequadamente às nossas crianças, em época oportuna. As distorções idade/série são muito grandes entre nós, fruto de um quase abandono dessa fundamental prioridade. Querem um exemplo ?

O Brasil tem hoje cerca de 127 mil alunos de pré-escolar com 9 anos de idade e que estão sendo assistidos de modo bastante precário. Não serão futuros adultos analfabetos? Campanhas e projetos espetaculares não resolvem o problema. Sou partidário de uma ênfase na educação básica, para que se estanque a fonte geradora dessa situação deplorável da educação brasileira.

(*) é professor universitário, jornalista e escritor.

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ELDORADO S.A.

 (Fábio Sinegaglia)

Todo brasileiro ao nascer, junto com a cidadania ganha o gosto e o prazer pelo futebol, pois temos uma cultura extremamente futebolística e não uma cultura esportiva. Entre todos os esportes “chamado de amadores” o povo brasileiro gosta daqueles que ganham e quando ganham: caso de Ayrton Senna nos anos 80/90, Guga anos 90/00 e de esportistas que são verdadeiros abnegados e ganham uma ou outra medalha de Ouro em Olimpíadas, e nestas conquistas surgem as “febres” esportistas. A febre passa a vida continua a voltamos ao futebol. Até porque que quem perde é achincalhado por tudo e por todos.

Mas de uma hora para outra o Brasil virou o Eldorado do esporte, vamos realizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. Um verdadeiro espetáculo esportivo dentro do Brasil. E ai a grande afirmação: QUE MARAVILHA !!!! Pois bem, eu digo QUE PORCARIA!!!!!!!!!! O Brasil tem muitas outras coisas para se preocupar antes de sediar eventos esportivos globais, temos que nos preocupar com educação, saúde, segurança e outras coisas para o povo brasileiro, esse povo tão sofrido que paga imposto de forma galopante e tem em troca desse imposto pago absolutamente nada – não temos boa educação, não temos saúde pública digna e segurança é um sonho para o Século XXII. Acho que as atuais discussões que permeiam a Copa do Mundo de 2014 (que infelizmente será no Brasil) já estão sendo bastante claras do que será feito com o dinheiro público, o nosso dinheiro que nos é tirado em forma de imposto será gasto para ajudar empresas privadas (clubes de futebol) a construir e reformar estádios, e não será pouco dinheiro não, serão milhões e milhões de Dólares. E o mesmo deve ocorrer nos próximos anos quando o assunto for Rio 2016.

Em 2007 o Rio de Janeiro organizou e foi sede do Pan, muito se falou que o Pan seria um legado para o esporte brasileiro, um dos significados da palavra legado é (o que é transmitido às gerações que se seguem) e esse era o sentido da palavra em questão, e infelizmente o termo legado foi trocado por largado, pois tudo que foi construído no Rio para a competição de 2007 está sendo consumida pelo tempo, e o pior para a sociedade carioca e brasileira, não teve acesso aos locais de competição para a pratica de esporte para ai sim seria feito um legado. E tudo será reconstruído para 2016, ou seja, para usar a mesma coisa duas vezes em nove anos, tudo será feito e refeito. 

Um País melhor no esporte se faz com educação e com investimentos em atletas desde a categoria de base, aos sete anos, até o final da carreira. E infelizmente nunca vimos isso no Brasil, ser o novo Eldorado do esporte mundial é oferecer condições dignas para atletas treinarem, e não, ter que assistir os principais atletas brasileiros saírem para o exterior em busca de infra-estrutura de treinamento. Portanto o Brasil vai se maquiar para 2016 e depois em cada Olimpíada ganharemos meia dúzia de medalhas e assistiremos as potências Olímpicas ganharem centenas delas.

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FARIA LIMA. (Centenário de nascimento)

Autor: Mario Lopomo

Quando o mandato do prefeito Prestes Maia estava chegando ao fim, no inicio do ano de 1965 o povo perguntava: – Será que o próximo prefeito será tão bom como o velho Chico?
Quando a campanha para prefeito estava nas ruas surgia o Slogan: VOTE EM FARIA LIMA E GANHE UMA CIDADE NOVA.

O Brigadeiro José Vicente de Faria Lima, um carioca de Vila Izabel, que já era conhecido pelos paulistas. Tinha sido secretario da Viação e Obras do governo Jânio Quadros. Conhecido, como um homem correto, e trabalhador.

Tinha como adversários vários nomes e o mais forte para tentar vencer o Janista, Faria Lima, era Laudo Natel, um ademarista que ocupava o cargo de vice governador, que o deputado estadual Giogia Junior chamava de boneco esportivo. Fora Laudo Natel tinha outro candidato que dizia por todos os poros que ia vencer a eleição.

Era o radialista Pedro Geraldo Costa. Muito conhecido por ter o programa da Ave Maria as seis horas da tarde na radio nacional, quando falava da fé, a mesma fé que ele tinha em seu taco.

Para tanto fazia uma campanha caricata, carregando um paralelepípedo dizendo que era o Pedro da Pedra. Usava a gravata do avesso que era para todo mundo perguntar o porquê, e sendo desvirada lá estava a foto dele. Vote em Pedro. Alem de esses dois, outros nomes “sem expressão” concorriam.

Faria Lima era sem duvida o favorito de 60 por 10, na pedra de apregoação eleitoral. E quando veio a contagem dos votos ele teve mais de 450 mil votos contra menos de 200 mil de Laudo Natel.

Este foi o resultado final da eleição para prefeito em 1965.
 Faria Lima: 452.162 votos = Laudo Natel, 198.222 = Auro Moura Andrade, 121.076 = Pedro Geraldo Costa, 99.647 = Paulo Egidio Martins, 90.003—Franco Montoro, 52.502 = Lino de Matos, 39.423 = Januário Mantelli Neto, 17.143. Para vice-prefeito: Leôncio Ferraz Júnior, (da chapa de Faria Lima) teve 314.650 votos. = Mário Teles, 188.790—Manuel Figueiredo Ferraz, 161.820 =

Faria Lima assumiu a prefeitura em 8 de Abril, dizendo que daria continuidade a excelente administração de Prestes Maia, que tinha deixado nas pranchetas vários projetos a serem concluídos. Mas antes mesmo de arregaçar as mangas,  teve a triste missão de levar ao tumulo o seu antecessor, que morreu no dia 26 daquele mesmo mês.
Faria Lima transformou a cidade de São Paulo num verdadeiro canteiro de obras.

O povo ficava de olhos arregalados de tanto ver estacas de concreto e guindastes por toda a cidade. Quem passava pelo parque Don Pedro II, ficava a olhar sem saber o que estava porvir ali. Um monte de rampas uma passando por baixo da outra, que depois que ficou pronto é que nos ficamos sabendo que era o complexo de viadutos que liga a zona Sul, a Zona Leste e Norte a caminho da Oeste.

Faria Lima estava na boca do povo, era o prefeito mais querido e elogiado pelo povo, mas também tinha os crápulas nos bastidores políticos, os crápulas.
E esses crápulas,  políticos profissionais, resolveram sujar o bonito currículo do prefeito Faria Lima. Uma tempestade derrubou a torre de radio amador e TV do sitio do prefeito na estância  de Atibaia.

Os puxa sacos do prefeito para mostrar serviço, resolveram ir por conta própria até lá para realizar o concerto. Para tanto pegaram um caminhão da prefeitura com areia e cimento e tudo mais necessário.

Alguém fotografou o caminhão com o logotipo da prefeitura de São Paulo na rodovia Fernão Dias. Pronto: Manchetes garrafais na primeira pagina dos jornais. CORRUPÇÃO NA PREFEITURA! Até tu Faria?
Ai é que o prefeito veio a tomar conta do que realmente havia acontecido. Fez questão de ressarcir os cofres públicos e na certa,  puniu os Barnabés.

Esse era o Brigadeiro Faria Lima, o ultimo prefeito eleito pelo povo no período ditatorial. Quando ele saiu, em seu lugar entrou um “BIONICO”.
No dia 7 de outubro de 1969, o povo paulistano chorou a sua morte e seu corpo foi enterrado no cemitério de Campo Grande (região de Santo Amaro) em sua campa está. A colher de pedreiro e uma rosa vermelha, o símbolo do trabalhador, com muito amor.

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ENEM – E NEM  DIGA QUE O MINISTRO TEM CULPA!
 
FOTO VALENTE(*) Nelson Valente
 
A história do MEC teve início no dia 14 de novembro de 1930 quando nasceu o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. Em 2009, portanto comemora-se o 79º aniversário da pasta que institucionalizou o trato das questões educacionais, antes cuidados pelo Ministério dos Negócios Interiores.
De 1930 a 1946 foi Ministério da Educação e Saúde. De 1946 a 1985 foi Ministério da Educação e Cultura (MEC), com a convicção de que lidávamos com processo cultural, de que a educação faz parte.
No ano de 1985, por iniciativa de José Sarney, nasceu a pasta da Cultura, que passou a ter vida própria e recursos mais apreciáveis em função de Leis de incentivo fiscal (Lei Sarney e Lei Rouanet).
O nome de Ministério da Educação e do Desporto nasceu em 1992, com o retorno do setor esportivo ao âmbito da educação. Hoje, o MEC tem responsabilidade imensas, na condução de todo o processo executivo da área, ficando a parte normativa sob o comando do Conselho Nacional de Educação, que iniciou suas atividades no dia 26 de fevereiro de 1996.
O MEC tem sido marcado por uma intensa descontinuidade. Houve ministros, como é o caso do professor Gama e Silva, com apenas nove dias no cargo. Em compensação, Gustavo Capanema ficou 11 anos, o que pode ser explicado pelo fato de ter pertencido ao governo Vargas, caracterizado por um período de 15 anos (somente no período republicano, passaram pelo Ministério da Educação aproximadamente 40 ministros, o que é inaceitável).
Foram várias reformas por que passou o Ministério da Educação, visando a simplificação dos seus procedimentos eficientes, como acontece com o ministro Fernando Haddad. Pretende-se adotar modelo de administração por objetivos, eficiência e eficácia. Fernando Haddad é um ministro comprometido com a educação brasileira: sério e competente.
 Hoje o que se espera é a presença marcante do MEC na implantação de seus principais projetos alinhados com a sociedade brasileira.
 
(*) é professor universitário

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O Bixiga de Todos  (Mário Lopomo)
 
Em 23 de junho de 1878, o jornal Província de São Paulo anunciava na sua primeira página: “Vendo por propostas todas as matas dos terrenos do bexiga pertencentes a A. J. L. Braga e Companhia”. Estava dada a largada para o nascimento do bairro mais emblemático da capital: o Bixiga. Nessa época a capital já experimentava o crescimento com a chegada dos imigrantes; os italianos que não toparam a aventura ingrata de colher café no interior se interessaram pelos terrenos e aproveitaram os preços baixos – para lá, se mudaram em bando. Por coincidência, a área era rodeada de Ruas estreitas com 60 palmos de largura e aclives lembrando bem as pequenas aldeias da Itália. A maioria dos estabelecidos eram italianos calabreses, que logo perceberam na nascente metrópole a falta de mão-de-obra especializada. Lá foram eles: sapateiros, artesãos, padeiros, quitandeiros – e tudo mais que um simples meio de sustento. A partir de 1890, o bairro experimentou uma nova onda de crescimento com chegada de mais imigrantes: portugueses, espanhóis e mais e mais italianos. Isso sem contar os negros recém libertados. No início era uma imensa torre de Babel onde ninguém entendia ninguém, mas acabaram se acostumando uns com os outros e a coexistência foi pacífica.
Os primeiros registros referentes ao Bixiga são de 1559, e dão conta de uma grande fazenda chamada Sítio do Capão, cujo dono era o português Antônio Pinto (capão é uma porção de mato isolado no meio do campo). Décadas mais tarde o local passou a se chamar Chácara das Jabuticabeiras, devido ao grande número de frutas existente nas imediações. Já na segunda década do século 18, o local pertencia a Antônio Bexiga. Ao que parece o proprietário fora vítima da varíola – bexiga era o nome popular da doença e os enfermos eram conhecidos como bexiguentos. Não foi todo mundo que gostou do Bixiga – é bom lembrar que o “e” da palavra Bexiga passou a “i” de Bixiga, devido à boa fala popular italiana. Em 1819, um viajante francês chamado Saint Hilaire, percorreu grande parte do Brasil, inclusive São Paulo, e depois publicou um livro a respeito. Nele escreveu que a única estalagem da cidade era a de um português alcunhado de “Bexiga”, e que era imunda – fora então pernoitar na chácara Água Branca, em Pinheiros. Para muitos o bixiga começa na Praça da Bandeira (que era conhecido no começo do século XX, como largo do Piques, devido às inundações, que dificultavam a passagem com o barro que se formava).

 O bixiga dos Italianos.

A Bela Vista mais conhecido com o Bixiga, foi o local escolhido por uma grande parte da colônia italiana. E faz muito tempo, Isso desde o tempo em que o Palmeiras ainda era Palestra Itália. E era depois de comer aquela bela macarronada, com porpetas e bracholas ia eles ouvir o jogo de seu querido time alvi verde. Depois do jogo com cadeiras na calçada, lá estavam às famílias de italianos e brasileiros e quem de outras nacionalidades estivessem, todos conversando animadamente, com o rádio ligado na Tupi ouvindo com som alto o programa festa na roça, apresentado por Lulu Belencazze considerado um Oriundi.

O Bixiga dos negros

A comunidade negra era volumosa no bixiga. Era o contraponto dos italianos em termos de futebol, a maioria era corinthiano. Quando jogava Palmeiras e Corinthians, era uma festa de vitrolas, cada uma tocando o hino de seus clubes. Era uma festa de xingamentos tudo na base da amizade. Tetsuno, pra cá e peidorreiros para lá. Depois do jogo sempre tinha alguém de cabeça inchada, e naqueles anos 1950, o Corinthians levava sempre vantagem ficando o periquito anos na fila das derrotas. Mas com toda essa rixa futebolística a convivência entre italianos e brasileiros era bastante agradável.
A comunidade negra tinha como a maior bandeira do Bixiga o cordão do Vai- Vai que na metade dos anos 1960, quando o carnaval foi oficializado, virou escola de samba e ganhou 12 títulos de carnavais. Escola de muitos amigos do peito, como os da família Galvão. Do senhor Pedro Galvão. De seus filhos, Getulio, Mario e Bombeirinho. De Tobias, e muitos outros.
No Bixiga, dois clubes de futebol eram respeitados. O Boca Juniors, que por causa de uma cisão que ouve no clube, nasceu o Aristocrata Clube.
Um magnífico clube com uma estrutura de fazer inveja. Era um clube que mostrava o desenvolvimento da raça negra, os fundadores eram vários doutores que dignificavam a raça negra. Estavam sempre onde o clube ia jogar. Gente alegre e educada. Onde a batucada era o refrão que fazia todos gingar.
Eu mesmo testemunhei quando meu clube foi convidado a jogar no belo gramado que eles construíram no clube de campo, que o Aristocrata tinha na estrada de Parelheiros.
Quando você sai da Praça 14 Bis e sobe o morro pela Rua Rocha e, esta lá em cima você tem uma BELA VISTA bela da cidade, lá em baixo passa a Avenida Nove de Julho, olhando a direita o Vale do Anhangabaú, e todo o centro. Visualiza tambem outros rincões da cidade, que sua vista alcança. Será que foi por isso que o Bixiga é chamado de Bela Vista?
Seja lá como for o Bixiga é um bairro que todos conhece e, se lá não estiveram, pelo menos conhece de ouvir falar, através do cinema ou da televisão, o Bixiga sempre esteve à vista de todos, graças a uma boa mídia que lhe foi dado.
O bixiga sempre teve divulgadores. Era lá que Amacio Mazzaropi gostava de fazer seus filmes. O Corintiano, por exemplo, uma parte foi rodado lá, assim como no Brás, dois bairros onde predominavam os italianos. Muitos filmes mostravam ruelas e cortiços que o era uma coisa comum no inicio das décadas de 40-50.
Foi lá que nasceu o Cantor Agostinho dos Santos. Mais precisamente na Rua Santo Antonio. Onde viveu até sua morte ocorrida a 11 de julho de 1973, devido a um acidente de avião nas proximidades do aeroporto de Orly, em Paris (França). Agostinho gostava de jogar futebol. Não jogava tão bem quanto cantava. Mas mesmo assim envergou as camisas do Boca Juniors e Aristocrata Clube.
O homem que mais amou o Bixiga.
Mas quem mais divulgou o Bixiga foi Armando Puglisi, o Amandinho. Que muito cedo nos deixou. Armandinho amava o Bixiga como ninguém. Foi ele o pioneiro do que hoje se chamam agentes culturais. Que nasceu como não podia deixar de ser, no mais significativo dos bairros culturais de São Paulo: o Bixiga. Descendente de italianos nasceu com ajuda de parteira em 1931, em casa, na Rua dos Ingleses. Cresceu, brincou, estudou, trabalhou, fez amigos, casou, sambou, agitou tudo sempre amando o bairro do Bixiga. Criou o Museu do Bixiga, o museu do óculos, reunindo peças do cotidiano da vida do bairro, e participou de todos os movimentos para elevar o nome do lugar, inclusive assíduo freqüentador do Bloco dos Esfarrapados e da Vai-Vai. Quando você trafegar pela Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, passará sob o viaduto com seu nome, que o imortaliza no bairro que tanto fez e amou.
Armandinho foi quem teve a idéia de fazer um bolo do tamanho do ano de aniversario da cidade de São Paulo.

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1º de outubro: Dia Nacional do Idoso.
 
 
 FOTO VALENTE(*) Nelson Valente

Até onde se pode acreditar nas estatísticas oficiais, o Brasil caminha para uma aceleração do envelhecimento. Temos hoje cerca de 13 milhões de  pessoas com mais de 60 anos de idade e há uma projeção,naturalmente sujeita a muitos e incontroláveis fatores, estimando essa população para 35 milhões de pessoas em 2025.
Segundo, o médico geriatra Norton Sayeg  : – “Hoje, o número de idosos corresponde a 7,3% da população. No ano de 2025, representará 15%.As principais causas do envelhecimento do brasileiro são as reduções do coeficiente de mortalidade infantil, da taxa de fecundidade e da mortalidade causada por doenças infecciosas e parasitárias.Embora se saiba que o estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina já apresentam uma expectativa de vida de 70 anos, no Brasil, com tantos desequilíbrios, a situação é mesma trágica, em termos de envelhecimento”.
 A Paraíba, por exemplo, tem menos de 50 anos de expectativa de vida. As causas são as mais diversas, envolvendo fatores econômicos e sociais, mas de uma verificação concreta não se escapa: os idosos não recebem uma orientação adequada, em muitos casos por absoluto despreparo dos nossos médicos, além de existir uma política de saúde que chega a ser inacreditável.
A geriatria é uma especialidade de poucos, quando no mundo desenvolvido, com extensão das perspectivas de vida, ganhou enorme expressão. Como sempre, trata-se o idoso brasileiro com o nosso clássico jeitinho, o que não chega a ser exatamente uma forma de respeitá-lo.
Quantas vezes uma simples dor de cabeça representa apenas o sintoma de algo muito mais sério ? Nossas faculdades de medicina, tão criticadas (salvo as honrosas exceções), precisam acordar para esse fato social e dar a prioridade devida aos estudos ligados à gerontologia. Não esquecendo que dia 1º de outubro é o dia nacional do idoso.
 

(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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Viva o Rádio

 Fábio Sinegaglia

Nesta semana comemoramos a Semana do Rádio, este maravilhoso meio de comunicação que completa 85 anos, sempre vivo, atualizado e vibrante na alma e no coração dos ouvintes e amantes. A descoberta do rádio brasileiro se deu pelo padre e cientista gaúcho Roberto Landell Moura, que realizou a primeira transmissão de palavra falada sem fios através de ondas eletromagnéticas, no início das transmissões ouvia-se ópera com discos emprestados dos próprios ouvintes, recitais de poesias, concertos, palestras culturais e outras atrações, oriundas de muito esforço pessoal e de um amor incondicional dos pioneiros da radiodifusão brasileira.

Durante esses 85 anos, o esporte, ganhou um enorme espaço na programação do rádio brasileiro, poderíamos definir rádio esportivo como sendo: toda a transmissão (in loco ou não) de um evento esportivo de qualquer modalidade realizada por uma equipe de profissionais especializada no assunto, sendo esta equipe geralmente formada por um locutor, um comentarista e um ou mais repórteres, ou ainda, programas esportivos apresentados de estúdio. Mas certamente essa é uma forma muito acadêmica de qualificar o rádio, por isso, prefiro a definição dada por Luiz Fernando Veríssimo: “Quem, como eu, me criei ouvindo aqueles artistas da emoção que irradiavam os jogos, nunca podem aceitar outro estilo de narrar que não fosse o dramático latino. Lembro que na primeira vez em que fui ver um jogo até me decepcionei um pouco. Futebol no campo era emocionante, mas não tanto como no rádio. Mas nunca perdi a impressão de que quem não transmitir o futebol como um locutor brasileiro, de certa forma o estava traindo. Era inadmissível, por exemplo, que o grito de ‘gol ’ tivesse um só ó”

O rádio esportivo foi se desenvolvendo ao longo dos anos, as transmissões esportivas começaram do início da década de 30, com dois nomes em destaque: Nicolau Tuma e Antônio Pedro Tota. Tuma foi certamente o primeiro gênio da locução esportiva, e até recebeu o apelido de Speaker (nome dado aos locutores de antigamente) Metralhadora pela sua maneira de transmitir. Tuma chegava a falar mais de 250 palavras por minuto e ao fazer uma transmissão.

Em 1938, por ocasião da Copa do mundo de Futebol disputada na França,  Gagliano Neto recebeu exclusivamente para a transmissão, ganhando fama por este trabalho, sendo assim a primeira transmissão de Copa do Mundo do Rádio Brasileiro.

Posteriormente o compositor e narrador Ary Barroso, o Speaker da gaitinha, recebeu este nome porque quando ocorria um gol no jogo em que estava narrando ele assoprava uma gaitinha. Esta idéia surgiu porque na época não havia cabines de transmissão e, num jogo que ele ouviu em sua casa, ao terminar a partida, tinha certeza de um resultado e, no outro dia ao ler o jornal ele se surpreendeu com outro placar, diferente daquele que ele ouviu durante a transmissão da partida. Foi então que verificou a necessidade em ter um som diferenciado para mostrar que havia ocorrido um gol. Foi desta gaitinha de Ary Barroso que se originou nos dias de hoje as vinhetas para serem colocadas no ar quando ocorre um gol, ou ainda, cada locutor criou sua maneira de narrá-los.

Os locutores acima citados podem ser considerados os pioneiros do rádio, mas não podemos deixar de citar outros nomes que fizeram e fazem o rádio esportivo: Podemos listar nomes como Pedro Luiz Paolollo, Edson Leite, Oduvaldo Cozzi, Jorge Cury, Geraldo José de Almeira, José Carlos de Araújo (o “Garotinho”), Osmar Santos, Fiori Giglioti, Joseval Peixoto, José Silvério, Geraldo Tassinari, Luciano do Valle, Silvio Luiz, Nilson Cesar, e Edér Luiz como os mais perfeitos e vibrantes locutores esportivos destes 85 anos de rádio, tornando as narrações esportivas uma das grandes atrações do rádio.

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Ecodesenvolvimento
 
 
                                                          FOTO VALENTE   (*)  Nelson Valente
 
                                                 Educação Ambiental é uma nova forma de educar, ampla e significativa (uma “meta-educação”). Tem como ponto de partida e de chegada o próprio meio ambiente e, como preocupação maior, a melhor qualidade de vida.
                                                A Educação Ambiental, se bem aplicada, leva o estudante a uma real integração com o ambiente onde vive, que, na realidade, é a continuação do seu próprio corpo e, como tal, tem que ser conhecida, respeitada e preservada.
                                                Será imprescindível, de agora em diante, a inclusão do tema educação ambiental nos currículos das Faculdades de Educação, bem como sua promoção em nível de pós-graduação. Pelo caráter inovador da Educação Ambiental, precisamos de técnicos, praticamente inexistentes nessa área. O que possuímos atualmente são pesquisadores que se aprofundam no assunto por autodidatismo.
                                               O texto constitucional prevê a promoção da educação ambiental “em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para preservação do meio ambiente”. Em outras palavras, busca-se o apoio da população para a solução dos problemas ambientais. Acreditamos que exista uma consciência ecológica, embora ela ocorra de maneira incipiente.
                                             O que prevalece é a presunção errônea de que nossos recursos naturais são inesgotáveis, dando margem à política do usufruto desmedido e imediato, sem preocupações quanto ao empobrecimento ou exaustão.
                                             No caso específico da educação ambiental, a maioria das constituições estaduais tem adotado em seus textos a determinação de que ela seja implantada. Deve-se buscar um meio de compatibilizar ecologia e desenvolvimento, de forma responsável. “Ecodesenvolvimento”é o termo que vem sendo usado para definir essa nova postura. Não devemos parar de crescer industrialmente; ao contrário, devemos buscar o desenvolvimento sustentável, que pressupõe o respeito pela preservação ambiental. Limitar o crescimento econômico, ao contrário do que pensava, só ajuda mesmo a agravar as condições ambientais dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
                                            Algumas empresas têm ajudado muito na preservação do meio ambiente. Os exemplos são bastante representativos. Esso, White Martins e Souza Cruz adotaram parques e reservas e têm investido verbas consideráveis na aquisição de materiais e equipamentos. A Petrobrás tem projeto pronto para desenvolver o “turismo ecológico”, visando à preservação dos 34 parques nacionais. Basta apenas que a empresa aparelhe o Ibama com recursos humanos especializados para que não ocorram atividades predatórias. O turismo feito de forma orientada e consciente pode ajudar na conservação.
                                            A questão ambiental adquiriu contornos universais, como se pode verificar pela polêmica em torno da camada de ozônio e o papel de discussão em torno da possibilidade (cientificamente não comprovada) de sermos hoje pulmão do mundo.
                                           Tudo o que conseguimos foi arranhar a consciência individual. Mas há ainda, certamente, uma consciência coletiva.
 
(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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A MARDITA CACHAÇA.

FOTO LOPOMOAutor: Mário Lopomo                                                                                                                                  

A bebida alcoólica sempre foi um desastre para o ser humano. Tanto para quem bebe como para quem com ele convive. A bebida foi um dos principais motivos de separações.
Varias coisas motivam as pessoas a beber. A principal segundo se ouve dizer e o amor fracassado. Em 1958 um psiquiatra muito amigo de uma moça com quem sempre conviveu amistosamente sem nunca ter namorado ou se declarado gostar dela. Ficou muito triste quando soube que sua amiga Silvia estava namorando, com um rapaz de nome Silvio. Todos os três pertencentes a famílias abastadas.
Quando o noivado de Silvia e Silvio estava chegando ao fim por que resolveram se casar é que o psiquiatra ficou mais triste ainda. Sua querida amiga que ele amava e nunca tinha tido coragem de se declarar estava próxima ao altar, e no dia em que o enlace matrimonial ia ser realizado o maior amigo dele era um litro de Uísque, que bebericou o dia todo até as 18 horas em que os noivos receberiam a benção de Deus para um casamento que duraria até quando deus assim o quisesse.  
O psiquiatra estava nas primeiras fileiras da igreja Santa Teresinha da Rua Maranhão, vendo de perto aquilo que podia ser ele quem estivesse ao lado de Silvia, mas era outro que ali estava. Seu cotovelo dói muito e quando o casal foi saindo e parou no Hal de recebimentos de cumprimentos ele se antecipou a todos dizendo que queria ser o primeiro a cumprimentar os noivos.
Quando estava bem próximo do casal tirou o revolver e atirou nos dois, foi agarrado pelos outros convidados e desarmado e teve um guarda chuva despedaçado por um parente da noiva de tanta raiva que ele estava. Silvio morreu e Silvia ferida na cocha sobreviveu. Vai se saber quantos fatos parecidos com esse não deve ter acontecido. A verdade é que a pinga já foi o desespero de muita gente principalmente de esposas e mães, as que mais sofrem com esse processo.
O ruim da historia era quando a gente bebia mais da conta, sempre vinha alguém para dizer: Cuidado heim Cu de bêbado não tem dono!
Eu sempre tive minha veia poética e quando estava meio chumbado não deixava de se aproveitar da inspiração poética. E foi num desses dias que veio uma delas. E então botei no papel. “Quando Rosinha toda faceira / vindo da feira / a caminho de sua casa, / e eu sentado no banco da praça, / com a cara cheia de cachaça, / não sei se via Rosinha / ou apenas uma coisinha.
Conheci muitos cachaceiros ou cachacistas como dizia Odorico Paraguaçu. Só sei que cachaço ou bebacho era sempre motivo de chacotas. “Olha o pé redondo!… Heim ta cercando frango? Como é vai prá cá ou pra lá? Na verdade o bêbado nem estava ai. Ou melhor, estava o bêbado sempre sabe onde está, e parece que ele é protegido por Deus. Seria o Deus da pinga?”
Sei lá acontece cada coisa com bêbados e eles, a sair sempre ilesos de certas situações melindrosas.  Caem e quando muito ralam os braços, atravessam ruas na maior lerdeza e sempre os motoristas param. Tem gente até que sai do carro para colocá-lo na calçada. É aquele negocio o bêbado de hoje pode ser eu amanhã. 
Teve um bêbado que um dia sentou no gradil do viaduto do chá e bumba foi pra baixo. O Deus dele fez com que caísse em cima de um carro. Amassou a capota do veiculo, e ele não sofreu um arranhão. A única coisa, é que a bebedeira passou na hora. Estando no sofá da Hebe ele disse que nunca mais bebeu na vida, para a gargalhada da loira, que disse: Que gracinha!
Eu quando jogava futebol e quando o time ganhava uma taça, coisa que acontecia quase sempre a gente pedia ao motorista do caminhão que carregava os jogadores, para parar no primeiro bote que tivesse pela frente. Enquanto isso se fazia uma “vaquinha” e a taça ficava cheia de pinga e todos bebericavam dando uma golada. Como a taça era grande todos chegavam de nariz vermelho e olhos esbugalhados.
Um verdadeiro mestre em conhecimento de cachaça era meu amigo seu Manoel Maiotti.
Ele era pedreiro, e todos sabem que pedreiro e pintor têm um pouco de cachaço. Diz à lenda que é por causa do cimento e do cal. Na verdade é sempre um motivo para beber. Seu Manoel era especialista na caninha tatuzinho fabricado pelo Romeu Ítalo Ripoli, de Piracicaba. Seu Manoel era tão vidrado nessa cana que vivia o dia inteiro cantando a musica da propaganda do radio “A Tatu, Tatuzinho, me abra à garrafa e me da um pouquinho” 
Em frente sua casa tinha um boteco que o dono também se chamava Manoel, sobrenome Campos um Português, marrudo e mutreteiro. Maiotti era mineiro, então já viu, comia pelas beiradas, e o Português queria lhe passar a perna, coisa difícil em se tratando de mineiro.
Um dia seu Manoel, o Maiotti foi la tomar sua pinga coisa que fazia diariamente a começar logo pela manhã como seu café preferido.
Tomava também a pinga misturada ao café porque era bom para evitar a gripe. Coisas de bêbado. Um dia seu Campos serviu uma pinga que na primeira golada de Maiotti foi o bastante para cuspir de nojo. Pô seu Campos o senhor me deu uma pinga batizada, para com isso, faz isso com os inimigos, comigo não!
Seu Campos disse que jamais faria isso com ele profundo conhecedor de pinga principalmente a tatuzinho. Maiotti não quis saber, de papo mentiroso, para ele aquela pinga servida era batizada e pronto.
Então vamos fazer o seguinte pega a pinga batizada que o senhor serve para os trouxas, disse Maiotti. Não demorou muito e a garrafa estava em cima do balcão. Agora pega uma fechada, bota uma venda bem forte nos meus olhos, embaralha as garrafas e coloca em dois copos. Feito isso a venda foi retirada e Maiotti, foi provar os dois copos de pinga para provar a seu Campos que ele sabia qual era a pura e a batizada.
O primeiro copo que provou era justamente a batizada. Agora deixa ver aquele outro copo para ver se é a pinga da boa. Ai seu Campos viu que o mineirinho realmente conhecia pinga.
A coisa de anos atrás eu estava passando pela Avenida Cupecê e vi um homem sentado na guia com cara de doente. Estava muito branco, estava já uns cem metros adiante e resolvi voltar.
 Ai já tinha uma senhora dando um copo de água a ele. Perguntei do que se tratava e ela disse que ele tinha se sentido mal. Perguntei para onde ia e ele disse que morava na Rua Guarará perto da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Então dei lhe uma carona, e fui especulando o cara.
Ele disse que já tinha ocorrido tal coisa, olhando bem para a cara dele pensei. Esse cara deve ser bêbado. Ai eu perguntei: O senhor bebe?
_ Sim, esse é o meu mal. Não consigo largar desse maldito vicio. Bebo escondido da família, mas não fico de cair. Só mesmo quando me sinto mal da pressão é que fico como agora.
Puxa o senhor tem pressão alta e ainda bebe?  E cigarro o senhor fuma? Sim fumo!
Posso te fazer uma pergunta?  Disse ele
 – Sim pode fazer, respondi – O que faz mais mal, o cigarro ou a pinga.
Olha amigo, as duas coisas fazem mal. À pinga conzinha o fígado, e com o tempo passa a ter cirrose, e o cigarro com o tempo entope as veias, e da o infarto. Mas tem uma coisa. O cigarro o senhor pode fumar por muito tempo que as pessoas nem notam. Agora a pinga degrada a pessoa. E quem mais sofre é a família. As pessoas não querem nem saber. Quando vê sua mãe na rua elas dizem, olha lá a mãe do bêbado. Olha a irmã do bêbado, e assim por diante. Sem contar que algum dia alguém leva o bêbado carregado pra casa e ainda com a gozação dos amigos.
Ele com lagrima nos olhos disse: Puxa vida nunca imaginei que uma pessoa bem mais jovem do que eu ia me dar conselhos tão sábios como esse que acabei de ouvir. Nunca mais eu o vi na vida tomara que tenha se emendado. Porque idade para isso tinha até demais.
Eu estava acostumado a beber e bebia bem. Quando saia do serviço tinha aquela desculpa de tomar um aperitivo para abrir o apetite.  Toda a tarde era isso. Um dia (1968) estávamos mo bar e eu tinha tomado um ou duas doses de pinga. Perto do que já tinha bebido na vida eu não tinha tomado nada. Alguem disse: bem vamos embora esta na hora da novela. Eu estava encostado no balcão e quando me virei para sair rodou tudo a minha volta. Bêbado total. Fui levado pelos amigos porque nem cercar frango dava. Uma autentica tragédia. Tomei tudo o que amargo existia, Chá de losna, café sem açúcar. E só sei que era meia noite e eu ainda estava bêbado. Coisa feia. Fiquei sabendo no dia seguinte alguma amigas tinha visto aquela cena horrorosa de um bêbado, falando com a boca mole.  Deixa comigo to bem.
Fiz uma promessa nunca mais beber na vida. Promessa cumprida até hoje.

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Câmara Brasileira do Livro
 
FOTO VALENTE(*) Nelson Valente

Quando Jânio da Silva Quadros, o maior fenômeno eleitoral surgido na política brasileira do momento assumiu a presidência em janeiro de 1961, o Brasil estava submerso numa profunda crise econômica, o que propiciava o surgimento do janismo. Considerado um precursor do marketing político, falava à mídia e ao eleitorado por meio de imagens, símbolos e emoções. Ele tinha um repertório cênico e retórico de vocação populista, marcado por gestualidade ostensiva, vocabulário rebuscado e tiradas imprevisíveis. O governo implantou imediatamente um austero e ortodoxo conjunto de medidas de estabilização econômica, com uma violenta desvalorização cambial, redução dos gastos públicos, controle da emissão monetária e redução dos subsídios ao trigo e ao petróleo para combater o déficit orçamentário calculado em Cr$ 123 bilhões. Armado da famosa “tesoura”, o presidente podou o orçamento cortando vantagens e reduzindo verbas. As bases de sua atuação econômica estavam sintetizados nos “dez mandamentos de Jânio”: 1 – Congelamento das verbas dos fundos especiais; 2 – Revisão da política tarifária de modo a desonerar a União das subvenções que tinham distribuídos para cobrir déficit reais ou fictícios das várias empresas, incluindo os correios e telégrafos; 3 – Congelamento de despesas adiáveis, cortando verbas de auxílio, subvenções e indenizações; 4 – Reexame dos pagamentos e dos créditos especiais; 5 – Reexame das dotações orçamentárias destinadas a custeio de serviços, desenvolvimento econômico e social e investimentos; 6 – Revisão na nomeação de funcionários; 7 – Revisão das ajudas de custo, verbas de representação, gratificações, risco de vida e nível universitário; 8 – Corte drástico nas despesas em dólares com pessoal em funções no exterior; 9 – Prévia aprovação da entrega de recursos orçamentários destinados a obras, instalação, equipamentos e desapropriações de imóveis; e 10 – Eliminação de todos os gastos supérfluos. Na sua intenção de eliminar o déficit público determinou um aumento das tarifas dos correios em quase quinhentos por cento em alguns serviços, sendo um dos mais afetado o de reembolso postal, fazendo com que em muitos casos a postagem custasse quase o mesmo preço do livro. Por determinação da SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito) as remessas de direitos autorais (entendidas como “royalties”) para o estrangeiro estavam bloqueadas, sem qualquer cobertura cambial. As gráficas também fora penalizadas com a eliminação do câmbio preferencial que permitia a importação de bens de capital e matérias primas, provocando um aumento no preço de papel que subiu de 6 para 150 cruzeiros o quilo. Os custos do papel para os livros que em 1950 representava 10% chegaria a cifra absurda de 75%. Para tentar aliviar a pressão do custo dos livros, especialmente os didáticos, sobre o orçamento familiar, Jânio assinou um decreto estabelecendo dois anos de validade para os livros adotados, autorizando a venda de livros pelas cooperativas escolares, congelou por cinco anos os programas de ensino e a distribuição de disciplinas por série, designando o Banco do Brasil para o financiamento da produção de livros didáticos. A instrução 204 da SUMOC que se destinava ao reordenamento geral da política econômica do governo, provocou o encarecimento do papel em 170%, descapitalização das empresas, um aumento de 100% na taxa de câmbio o que inviabilizou as importações de livros, e um corte na modernização por falta de financiamentos a um brusco aumento de juros. A Câmara Brasileira do Livro elaborou um documento com as reivindicações do setor, entregue pessoalmente ao presidente, por uma comissão formada por José de Barros Martins, Ênio Silveira, Octales Marcondes Ferreira, Jorge Saraiva, Diaulas Riedel, Francisco Marins, Antônio Olavo Pereira, Theobaldo de Nigris e Mário da Silva Brito. De fato houve duas entrevistas com Jânio da Silva Quadros. A primeira em abril de 1964, onde o Presidente afirmou que tinha urgência em coibir os abusos do poder econômico, relatando a enorme sangria feita no orçamento cambial do país através de dólares remetidos para fora do país e de que as medidas eram necessárias, ainda que duras, para sanear as finanças brasileiras. Como não houvesse medida concreta alguma para resolver o problema da Instrução 204 e o das Tarifas Postais, foi solicitada uma segunda entrevista à qual compareceram Mário Fittipaldi e Mário da Silva Brito em junho de 1961, já na gestão Octalles Marcondes, quando Mário Fittipaldi era o 1o. vice-presidente da CBL, no exercício da Presidência. Nesta última audiência foi entregue a Jânio Quadros um memorial redigido pelo próprio Fittipaldi em que se propunha, para compatibilizar a indústria do livro com a instrução 204, o mesmo esquema de incrementos semestrais de 10% na taxa cambial, o que possibilitaria às editoras se adaptarem com a nova realidade cambial no prazo de cinco anos. O Presidente mostrou-se extremadamente favorável a essa ideia, tendo no mesmo momento – segundo os integrantes da CBL – por telefone, contatado o ministro da Fazenda, Clemente Mariani, no Rio de Janeiro. Após a entrevista, o Presidente ordenaria o congelamento das tarifa postais para o setor. A secretaria da presidência providenciou um rápido transporte dos representantes da CBL até o Rio de Janeiro, onde o ministro os receberia em seu gabinete, tendo nesta ocasião tomado conhecimento do memorial. O documento entregue ao Presidente relatava as causas da restrita circulação de livros no Brasil, impedindo a democratização da cultura, a falta de financiamentos oficiais a juros menores que os praticados pelo mercado. Ressaltava que nos últimos dez anos nenhum editor tinha conseguido licença para importar máquinas reequipando sua indústria e a precariedade dos meios de comunicação. Afirmava que e face da nova Instrução, o dólar livro que custava setenta e cinco cruzeiros e sessenta e oito centavos, iria até o fim do primeiro semestre a duzentos cruzeiros por dólar, o que representava um aumento aproximado de 170%, provocando com isto uma majoração brusca nos preços dos livros, redução do potencial econômico-financeiro das empresas editoras e uma estagnação do processo cultural brasileiro. Solicitava ao governo créditos oficiais favoráveis para a aquisição de papel e máquinas, que o Banco do Brasil descontasse títulos comerciais no prazo máximo de doze meses, e que fosse dado às editoras, quanto às taxas de juros, o mesmo tratamento dispensado aos financiamentos e créditos agropecuários. Explicava que o desaparecimento do dólar de custo inviabilizou a importação de livros, sem que isto signifique a possibilidade de substituir o livro importado pelo livro nacional, e que a demora de cento e vinte dias da remessa dos dólares para o exterior, impediria que editoras estrangeiras enviassem livros para o Brasil. Solicitava ainda a constituição de um “Fundo Nacional para a Indústria do Livro” para assistir e estimular a indústria e o comércio de livro com vistas a sua difusão. Um outro problema criado para o setor pela política governamental foi a determinação através da Instrução204 do fim do subsídio à indústria de papel, sobre a argumentação de que esta beneficiava apenas uma empresa (a Klabin controlava 80% da produção nacional) e de que os jornais “gastavam muito papel inutilmente” (especialmente o antijanista O Estado de São Paulo). A Câmara Brasileira do Livro iniciou uma articulação política em defesa do setor bem antes da entrevista presidencial que incluía a escritora Raquel de Queiroz, que tinha recusado um convite de Jânio para ser ministra da Educação por considerar-se “despreparada”, utilizando um artigo publicado pela revista Cruzeiro, onde se divulgou através de uma crônica chamada “Aqui D’El Rei Brasília”, os problemas do livro defendendo o setor editorial do colapso que se aproximava. Através de entendimentos com o presidente Jânio Quadros a CBL conseguiu o congelamento das tarifas postais e a promessa de estudar o parcelamento da desvalorização cambial semestralmente, um subsídio ao papel e a criação junto à Carteira de Crédito do Banco do Brasil uma carteira especializada para o Livro. Quanto ao preço do livro didático, a proposta janista foi a determinação de um estudo para a adoção de um único livro para cada série e disciplina em todo o âmbito nacional. Pouco antes de efetuar sua renúncia em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros ordenou a formação de um grupo de trabalho formado por escritores, livreiros e editores, coordenados pela Câmara Brasileira do Livro para estudar os problemas do livro no Brasil, processo que foi abortado pelo seu afastamento do poder.

(*) é professor universitário,jornalista e escritor

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CAFETÃO DE GRAVATA.

 FOTO LOPOMOAutor: Mário Lopomo

Zelão, um respeitável cidadão que perambulava pelo bas-fond paulistano. Era um cara que tinha a mistura de rufião e cafetão. Aliás, duas espécies do mesmo ramo, ou seja, o cara que namorava, brigava pelas mulheres e também tirava o dinheiro delas.

Para ele não precisava ser bonitas, tendo dinheiro ele as protegiam literalmente. Quando ele não cafetinava as mundanas da boca do lixo ou do luxo, dava um passeio pelos jardins a cata de mulheres carentes de sexo devido seus maridos estar preocupados com negócios rendosos.

Zelão tinha uma lábia, de fazer inveja a qualquer um. Sem contar que  também era pintoso, no aspecto fisionômico, viu. Como garanhão então, deixava jovens, coroas e velhas suspirando dois dias depois de ele estar na companhia delas.

Zelão não era aquele cafetão que ia para as porradas quando o dinheiro não saia. Tinha muita paciência como mineiro e descendente de Árabes, aprendeu com seu tio Salim, que tinha uma caderneta que ele vendia fiado, e sempre recebia, cedo ou tarde. Então, ele tinha aquela paciência de Jó.

Era amoroso, com “suas consortes”, pois sabia que muitos maridos recebiam somente dia dez de cada mês e como naquela época mulher não trabalhava tinha que esperar o dinheiro cair na conta do marido.

Mas Zelão era muito ambicioso e procurava sempre fortes emoções, não era daqueles caras estacionados queria sempre mais. Então resolveu um dia fazer uma visita lá pelos lados da santa Casa de Misericórdia. Não que ele estava afim de cafetinar medica ou enfermeiras. È que por ali estava a casa mais famosa de mulheres que eram o motivo maior do turismo sexual a boate La li Corni, onde as alunas do Mackenzie, Daquela época  trabalhavam para pagar a mensalidade da faculdade.  Corria um papo que selecionavam virgens para os turistas estrangeiros, e  grandões da sociedade econômica financeira.

Assim que entrou pediu um Uísque 12 anos, dona Laura o reconheceu de uma foto que tiraram dele na central, onde foi preso por bater uma prostituta que o estava traindo.

Dona Laura chegou até ele com aquela educação que lhe era peculiar e foi dizendo: – Zelão, aqui é lugar de Puta e não de filho da puta, então toma seu Uísque e dá o fora.

Aqui só quem tem privilégio é meu amigo Sergio. Ta vendo aquela mesa ali? Já esta com o litro de Uísque a espera dele que logo vai chegar. Quando Zelão botou os garfinhos para andar, dona Laura deu o ultimo recado: – passa no caixa e paga o seu Uísque

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O barulho também mata !
 

FOTO VALENTE(*)   Nelson Valente
 
  
Na antiguidade, os gregos indignados puseram os barulhentos ferreiros para fora das cidades. Hoje, qualquer um tem seu aparelho portátil ou estrondoso som.
O barulho também mata Embora não pareça, o barulho é uma das principais causas de morte no mundo todo, segundo OMS.  Calcula-se que milhares de pessoas morrem anualmente vítimas deste problema. A música, a palavra e a voz consomem grande parte de nossas vidas. Um mundo sem som seria triste, mas seu excesso também não é agradável.
Tudo deve estar na medida certa: assim é o que determina a Organização Mundial da Saúde (OMS), que acaba de elaborar um relatório sobre a poluição acústica denunciando o aumento no número de mortes provocadas pelo barulho ao longo do planeta.
Mas o barulho também nos traz toda uma série de males à nossa vida cotidiana, entre os quais se destacam a perda de capacidade auditiva, insônia, estresse, falta de concentração, problemas cardiovasculares, depressão e até impotência sexual ou problemas no feto das mulheres grávidas.
A OMS adverte que a América Latina está cada vez mais exposta ao barulho. Os altos níveis de barulho também são um problema para as grandes metrópoles no Brasil. Segundo o Médico Neurofisiologista, Fernando Pimentel Souza,membro do Instituto de Pesquisa do Cérebro, UNESCO, Paris, anualmente são perdidos mais de 600.000 anos potenciais de vida sadia por culpa de doenças envolvendo o excesso de barulho.Além disso, a mania dos brasileiros mais jovens de ouvir música alta faz com que quase 2% dos habitantes entre sete e 19 anos já tenham perdido parte de sua capacidade auditiva. Mas o barulho também está por trás dos graves distúrbios do sono que afetam 2% dos paulistanos e de 3% dos casos de tinnitus – um fenômeno de personalidade perceptiva caracterizado por contínuos assobios nos ouvidos – que afetam aos cidadãos brasileiros que vivem nas grandes cidades.
 Com isso, é preciso tomar consciência sobre o assunto e denunciar todos aqueles que infringem a lei e colocam em risco a nossa saúde. Em São Paulo, a poluição sonora e o estresse auditivo são a terceira causa de maior incidência de doenças do trabalho, só atrás das devido a agrotóxicos e doenças articulares. Inúmeros trabalhadores vêm-se prejudicados no sono e às voltas com fadiga, redução de produtividade, aumento dos acidentes e de consultas médicas, falta ao trabalho e problemas de relacionamento social e familiar. A poluição química do ar, da água e da terra deixa muitos traços visíveis de contaminação. Muitas doenças e mortes devido a alterações do meio podem ser identificadas por qualquer pessoa. Mas, a poluição sonora, mesmo em níveis exagerados, produz efeitos imediatos moderados. Seus efeitos mais graves vão se implantando com o tempo, como a surdez, que não tarda a se acompanhar às vezes de desesperadores desequilíbrios psíquicos e de doenças físicas degenerativas.
Pelo nível de ruído das nossas cidades e casas, a maioria dos habitantes deve estar sob estresse prolongado, surgindo ou agravando arterioscleroses, problemas de coração e de doenças infecciosas, fazendo inúteis dietas e acabando precocemente com suas vidas. A ativação permanente do sistema nervoso simpático do morador da metrópole pode condicionar negativamente a sua atuação com as agressões. Estamos no limite.
Muitas pessoas procuram se livrar dessa reação, por tornar-se desagradável, (por exemplo duma palpitação), usando drogas (tranquilizantes ou cigarro) para bloqueá-la.O nível de ruído em nosso ambiente urbano está quase sempre acima dos limites do equilibrio, e abre caminho para estresses crônicos.
Certas áreas do cérebro acabam perdendo a sensibilidade a neurotransmissores, rompendo o delicado mecanismo de controle hormonal. Esse processo aparece também no envelhecimento normal e ataca os mais jovens, que se tornam prematuramente velhos num ambiente estressante.
Os efeitos no sono não são menos importantes pela sua nobre função.Os países avançados, ao contrário, mantém o controle da poluição sonora para não prejudicar as atividades psicológicas, mental e física, e seus habitantes, beneficiados, atingiram um nível mais refinado. Mesmo assim esse tipo de poluição subiu para a terceira prioridade ecológica para a próxima década, pela Organização Mundial de Saúde.
O Brasil não deveria permitir tantos danos da poluição sonora nos insuficientes esforços na educação e saúde. Alguma coisa deveria ser feita nas nossas cidades excessivamente barulhentas, hoje com quase 80% da população. As providências seriam: seguir a lei e melhorá-la, diminuir poluição das fontes ruidoras (veículos automotores, aparelhos industriais e eletrodomésticos,etc.) É necessário reeducar as pessoas a viver em comunidade, porque, a nação, se não é capaz de reparar os danos da poluição sonora, poderia pelo menos preveni-los.
No Brasil, apesar de ter normas para evitar o barulho prejudicial, sejam elas severas ou não, quase ninguém as cumpre, e o problema persiste na maioria dos espaços públicos das metrópoles. Música alta, construções, tráfego de veículos, ofertas de produtos de lojas através de alto-falantes e até a pregação religiosa – que costuma contar com potentes equipamentos de som- fazem parte do panorama em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo. Brasília, Blumenau, Curitiba, etc.
 
(*) é professor universitário, jornalista e escritor
 

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Passaporte Carimbado  (Fábio Sinegaglia)

 Com a vitória do Brasil sobre a Argentina, por 3 a 1, no último sábado a Seleção Brasileira de Futebol confirmou a sua participação no Mundial da África do Sul em 2010, assim sendo a escrita continua: “O Brasil é o único País do Mundo a participar de todas as Copas (1930 – 2010)” totalizando 19 mundiais. Certamente quando o assunto é Copa do Mundo o Brasil é o maior de todos. Além do recorde de títulos, temos muitos outros atributos que nos colocam em uma posição de honra e destaque. Nas 18 Copas do Mundo já realizadas o Brasil atuou em 92 partidas; venceu 64, empatou 14 e perdeu 14, em todos esses jogos marcou 201 gols e sofreu 84. Assim tem um saldo positivo de 117 gols.

Dunga e seus comandados iram para a Copa de 2010 com a responsabilidade de ampliar a vantagem brasileira em Copas do Mundo e fundamentalmente voltar do Mundial em Julho do ano que vêm com o tão esperado hexa na bagagem. É inegável que o trabalho da dupla Dunga e Jorginho, surpreendeu a muitos, com bons resultados e conquistas fantásticas. Porém o maior desafio da dupla nestes 11 meses que nos separam da Copa do Mundo é isolar os jogadores deste favoritismo absoluto que permeia a Seleção. Pois já vimos ótimas Seleções Brasileiras irem para Copas do Mundo e se perderem em soberba e o resultado ser negativo, para refrescar a nossa memória basta lembrar a Copa do Mundo da Alemanha em 2006, quando o título parecia certo na mente dos jogadores e da comissão técnica e o resultado foi apenas o quinto lugar.

Passada a classificação para a Copa de 2010, ocorrida em Rosário, no último sábado, a Seleção Brasileira voltou para ao Brasil e venceu o Chile, por 4 a 2, na Bahia, e após a partida contra os chilenos Dunga declarou “o jogo teria sido melhor se não fosse o árbitro, a torcida e a imprensa”. Pois bem, o árbitro vai a campo para marcar o que ele vê e não o que o técnico acha, a torcida é a mesma que se o Brasil ganhar a Copa vai vibrar, o torcedor vive de paixão e treinador é profissional, por isso, não deve nunca responder com palavras e ofensas e sim com resultados e finalmente a imprensa aponta falhas e problemas, e infelizmente algumas vezes alguns profissionais não aceitam o confronto de idéias. Mas pode ter certeza se o Brasil for campeão do Mundo em 2010, Dunga dirá “A arbitragem mundial vive um grande momento, o povo brasileiro é maravilhoso e a imprensa faz o papel dela”.

As eliminatórias da Copa do Mundo já está em sua fase final, faltando poucos jogos já dá para ariscar os 32 classificados para a Copa do Mundo: África do Sul, Gana, Camarões, Tunísia, Argélia, Costa do Marfin, Austrália, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Japão, Nova Zelândia, Brasil, Paraguai, Chile, Colômbia, Argentina, Holanda, Dinamarca, Suécia, Suíça, Irlanda, Eslováquia, Alemanha, Rússia, Espanha, Inglaterra, Croácia, Sérvia, Itália, Honduras, EUA e México.

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Avenida Danças
 

sem título Autor: Mario Lopomo 
 

Quando de minhas andanças pelo centro as cidade, tinha com a preferência o lado subumano da cidade, o lado onde tinha inicio a boca do lixo. Antes de entrar “na sujeira” tinha alguns locais onde se encontrava vários tipos de mulheres desde prostitutas declaradas até as mais enrustidas, algumas casadas que davam a troco de umas pequenas notas para salvar o leitinho das crianças.

Um dia, 1966, um amigo me convidou para ir ao Chuá Danças, era por ali no final da Avenida Ipiranga, não me recordo muito bem à rua. Depois de umas idas, um amigo me disse que Avenida Danças era bem melhor.
Fui lá e pela primeira vez, paguei para dançar. Coisa inédita para mim. A gente quando entrava recebia um cartão que era picotado.
Após a gente dar uma parada, a dançarina pegava o cartão e dava para o funcionário picotar o correspondente aos minutos que tínhamos dançado.
Quando dava 10 minutos de danças eu parava para ela mandava dar 10 picotadas. Era preciso prestar atenção porque o cara sempre dava umas duas ou três a mais. Mas valia a pena porque tinha muita mulher bonita e gostosa.
Sandra era a minha preferida. Uma moça alta rosto lindo, com apenas 18 anos de idade. Dançando sempre boleros, que eram aquele velho arroz com feijão. Dois pra cá, dois pra lá e, eu especulando a menina.
- Seu pai sabe que você vem aqui dançar?
-Sabe nada. Deus me livre, ele me mata se souber!
- E o que você fala chegando em casa na manhã do dia seguinte. Pois já estamos à meia noite, e pelo menos até as quatro da madrugada você fica por aqui.
- Ah. Ele pensa que estou trabalhando. Falei que sou enfermeira na Santa Casa, e então chego em casa pela manhã, 7h30. Dou uma parte do dinheiro que ganho aqui, e ele fica todo contente.
O baile terminava as quatro de lá matina, e para ganhar mais, Sandra ia com algum dos pretendentes a um hotel mercadejar seu corpo e ganhar mais 200 cruzeiros, além da comissão que nós os trouxas pagávamos no guichê do Avenida danças.
Num determinado mês ela não pode dar uma parte do dinheiro para seu pai. Depois de sair do hotel, (naquela época não tinha motel) com seu parceiro de  cama e com o pagamento feito ela foi inquirida por um cafetão que estava exigindo o pagamento da taxa de proteção, coisa comum com as prostitutas da boca do lixo. Mas com as dançarinas do Avenida ainda não tinha acontecido de alguém fazer tal cobrança.
Quando Sandra disse que não ia pagar porque nunca falou com ele a esse respeito, levou umas bordoadas na cara e seguida enfiou a mão em seu sutiã, pegou todo o dinheiro, e picou a mula.
Quem ficou sabendo do caso foi um grande fã de Sandra. O meu primo Capuletta (primo de araque). Nós nos tratávamos assim, sempre imitando turco na fala, “Brimo”. Ele era outro que dançava muito com ela.
Capuletta, que era amigo de um  “ganso” (dedo duro da polícia), contou o caso para um policial pedindo providências. Em seguida ele disse aos policiais do Batalhão Tobias de Aguiar (Rota) o que estava acontecendo.  Capulletta ficou encarregado de avisar quando o cafetão estivesse por lá.
Esse cara tinha uma mesa cativa, tomava uísque de graça e ninguém sabia o porquê, chamava uma dançarina para sentar-se a mesa e no final das contas, não tinha conta a pagar.

Numa sexta feira, dia que a casa fervia. O “café” estava em sua mesa tranqüilo à espera do termino do baile para pegar a sua parte na famosa taxa de proteção.
Capuletta ligou para o batalhão e avisou. Olha, o esperto está por aqui. A Rota foi na base do pesado. O chefe da Rota foi primeiro a entrar que entrou e quis saber que era o café. Depois entraram os demais. Um bando de policiais. Várias viaturas.

Até ai tudo estava na moita parecia que era apenas uma inspeção, mas o chefe da Rota subiu no palco, pegou o microfone da mão do crooner. Mandou parar a orquestra e disse:
- Senhoras e senhores. O baile acabou. A Rota chegou! Mandou todo mundo encostar-se à parede e botar as mãos para cima, depois que todos estavam com as mãos na parede.
Quem estava armado tratou de jogar a arma por debaixo da mesa. Mafra se recusou a se encostar na parede. Quando ia levar um tapa pro meio da cara, mostrou a carteira de funcionário do Avenida Danças (picotador). Ai ficou livre das duas mãos vindo de baixo, passando por baixo da orelha. Aquilo doía…
Quando todos estavam em volta do salão que era grande e quase não tinha lugar para todos, a limpeza começou a ser feita. Só se via policial agachado por baixo das mesas recolhendo armas.

Facas e revólveres tinham de monte. Sem contar o tóxico (maconha) que era pego nos bolsos do povo. Quando os policiais estavam de saída, um deles chegou até o cafetão pegou-o pelo colarinho e disse:
- Vem cá filho da puta. Você foi o chamariz de nossa chegada. Vamos bater um papo. Entra na viatura. Só ele foi preso. Nem mesmo os que tinham maconha nos bolsos entraram em cana. Fiquei sabendo que o café tomou um pau, daqueles de ficar com a cara inchada. Depois dessa nunca mais importunou mulher alguma. No Avenida nunca mais pintou. Nem mesmo na boca do lixo foi visto.
Em outra ocasião também numa sexta feira, estava eu dançando com uma dona de babar. Pensei: é hoje que eu ralo a coisa. Depois de arrastar o pé por alguns minutos, fomos tomar um drink.
As dançarinas não tomavam bebida alcoólica por determinação da casa, para não ficar de pé redondo no salão. Elas bebiam guaraná, mas como a cor era igual a do Uísque, o pagamento era feito como sendo ele.

Eu que sempre tomava guaraná, mas para dar uma de bacana naquele dia, pedi uma dose de uísque. Do mais barato é lógico (Drurys), estava sempre duro.
E o papo rolou firme. Apontamento marcado para sábado de manhã. À hora disponível para ela.
Fui embora, para não depender do “navio negreiro” o último ônibus da linha 152 Vila Olímpia. Aquele que recolhia os motoristas, cobradores e boêmios.
Quando fui pagar uma surpresa. O meu cartão estava dobrado. Quando isso acontecia  tinha uma faixa em sentido diagonal de cor vermelha marcado 120, significava que você tinha estourado o cartão e estava na  segunda hora. Como eu controlava os minutos para não gastar muito reclamei.
- Xará eu dancei 25 minutos e tomei um drink, porque tudo isso?
O cara do guichê foi firme: E o tempo que você ficou sentado batendo papo com a, piranha, não conta?
- Porra, você ta me cobrando os minutos que estávamos tomando o drink com ela?
- É lógico, porra! Você a tirou do trabalho. Estando contigo, ela deixou de ganhar com outro freguês qualquer.
O negócio é que eu não tinha dinheiro para pagar. Tive que deixar o relógio. Um Omega “folheado a ouro” que era do meu pai, como caução.
Dali para frente no Avenida danças era só uma dançadinha de leve. Drurys?  Nunca mais

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As normas editadas nem sempre são redigidas com a necessária clareza.

 (*) Nelson Valente

A proposta deste artigo surgiu através da observação do crescente número de especialistas em educação, educadores e de futuros licenciados não conseguem entender, interpretar pequeno texto após a leitura sobre legislação educacional: Leis, Decretos,MP, LDBEN,Resolução, Indicação,Deliberação, na História da Educação Brasileira. Os legisladores em todos os níveis nem sempre são bastante felizes. As normas editadas nem sempre são redigidas com a necessária clareza. Daí surgirem, não poucas vezes, interpretações contraditórias sobre o mesmo texto. É bem verdade que as leis propriamente ditas não são muito numerosas, mas os regulamentos, constituídos principalmente de decretos, resoluções, portarias, são abundantes. Para interpretação correta de um dispositivo legal, devemos nos servir de várias modalidades de análise. Citamos algumas: literal ou gramatical, histórica, contextual, sistemática. A boa interpretação deve ser buscada na combinação dos vários meios apontados. A interpretação deve ser buscada na combinação dos vários meios apontados. A interpretação, por um só aspecto, via de regra, conduz a conclusões defeituosas e errôneas. O que nos interessa neste artigo é dar uma contribuição do nosso sistema de normas legais, que venha enriquecer a educação tão carente de pesquisa especializadas nesse importantíssimo ramo dos estudos pedagógicos. O funcionamento da escola, o desenvolvimento do programa educacional, a atuação dos professores ou do especialista de educação estão relacionados e dependentes, em todos os seus aspectos, de normas legais, específicas ou gerais. No Brasil, essas normas têm hierarquia que vai desde a Constituição Federal até o simples comunicado. Assim, para o desempenho de suas funções, principalmente os especialistas de educação necessitam no mínimo de conhecimentos do suporte da estrutura do sistema. A legislação educacional sempre foi tema de preocupação para diversos segmentos da organização e administração escolar do sistema educacional brasileiro. Sob os aspectos de organização e administração escolar, a legislação é ainda importante porque traduz a filosofia e a política educacional subjacente a cada país. A lei, entendida como forma normal pela qual o Estado estabelece regras de convivência dotadas de significação imperativa, procura assegurar coesão e equilíbrio de todo o corpo social. Segundo LOURENÇO FILHO (1962), a legislação não constitui somente fonte de ação, de organização e de administração, pois possui também sentido de instrumentação, isto é, passa a representar recurso prático para a estruturação e a gestão de serviços. Daí a necessidade de os componentes da legislação se constituírem num corpo com unidade lógica, em perfeita coerência, respeitando o princípio da não contradição. A educação formal se realiza através do sistema do ensino cujos componentes principais são: o fato, o valor e a norma. Na sequência lógica, em termos jurídicos, primeiro deve existir o fato, que uma vez generalizado torna-se passível de “normatização”, o que se exerce através da legislação. Entretanto, isto não é usual no âmbito da legislação escolar. Geralmente, ela precede os fatos. Tem-lhe mesmo, uma anterioridade tão grande, que resulta na necessidade de revestir-se de enorme elasticidade ou, quem sabe, “indefinição”, para permitir-lhe ajustar-se aos fatos que, espera-se, deverão surgir tal como foram pensados na legislação. Evidentemente, a realidade está aí a demonstrar o contrário Sob o ponto de vista prático, a legislação, antes de tudo, orienta a ação administrativa, estabelecendo diretrizes gerais de trabalho e definindo os limites sobre o que decidir, determinando fronteiras e o alcance das decisões ou das diretrizes decorrentes da ação administrativa. Observa-se que, apesar da uniformidade legislativa e da ação legal fiscalizadora da inspeção e supervisão, a padronização das escolas é aparente, pois elas diferem em inúmeros aspectos. Desse modo, a educação passa a ser uma atividade estritamente controlada por  leis e regulamentos e os organismos como o Ministério de Educação e Cultura e Secretarias de Educação, reduzem-se a órgãos de registro, fiscalização e controle formal do cumprimento de leis e regulamentos. Sua função é dizer se a educação é legal ou ilegal, conforme sejam ou não cumpridos os prazos e as formalidades, fazendo com que a legislação passe a ter antes, um caráter punitivo do que reforçador.


(*) é professor universitário, jornalista e escritor

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Super Clássico

 Fábio Sinegaglia

Na noite de sábado estarão em campo duas seleções representando o que existe de melhor no futebol mundial, em Rosário, Argentina e Brasil, além de brigar por uma vaga para o Mundial da África em 2010, escreveram mais um capitulo de uma história quase centenária, pois em quase 95 anos Brasil e Argentina fizeram jogos maravilhosos, que estão vivos na memória do torcedor. O primeiro confronto entre essas duas Seleções ocorreu no dia 20 de Setembro de 1914, e a maior característica desses confrontos é o equilíbrio, pois em 92 partidas o Brasil venceu 36 e perdeu 33, e o que mais impressiona no atributo igualdade é que nestes 92 jogos o Brasil sofreu um gol a mais do que marcou, ou seja, marcou 145 e sofreu 146.

Além da rivalidade entre as Seleções, temos a eterna provocação dos argentinos a respeito de Maradona ser melhor do que Pelé. Dizer que Maradona é melhor do que Pelé é um grande exagero, Pelé foi o rei o futebol (o maior de todos), o título de príncipe para o Diego Maradona está muito bom, porém esse título para Diego Maradona serve apenas para as coisas que ele construiu dentro das quatro linhas que delimitam o campo de jogo, pois como treinador o argentino tem muito a fazer e apresentar. No sábado teremos um encontro curioso entre os dois treinadores, Dunga e Maradona têm vidas semelhantes como técnicos, para simplificar, ambos ainda têm muitas coisas para demonstrar como treinador, se bem que o Dunga vêm sendo uma agradável surpresa no comando da Seleção Brasileira e acho que o Diego ainda não mostrou a que veio.

Colocada para fora todas as coisas da história e das provocações a respeito de Brasil e Argentina, temos no sábado um confronto de fundamental importância para as duas equipes, principalmente para os argentinos, que podem terminar essa rodada das eliminatórias em uma situação extremamente complicada, pois os argentinos estão atualmente na quarta posição na disputa sul-americana para a Copa do Mundo de 2010, e com dois revezes nesta rodada das eliminatórias (contra o Brasil em casa e contra o Paraguai fora) a Argentina pode ter a sua classificação para a Copa completamente complicada, já o Brasil líder das eliminatórias sul-americana só está na espera da data e do local para carimbar o seu passaporte para a África, continuando a escrita brasileira de ser a única nação a estar em todas as Copas do Mundo deste 1930.

Certamente teremos um grande jogo de futebol no sábado, a única coisa lamentável desta partida é o dia e a horário dela, pois a pressão da televisão joga este clássico do futebol mundial para um sábado às 22 horas, ou melhor, para sábado depois da novela da Globo. Até quando a Televisão vai determinar os caminhos do futebol? Certamente esse interesse da televisão vai acabar no dia que o torcedor perder a paciência nos esses horários malucos. O produto futebol vale comercialmente muita coisa, porém a televisão está desvalorizando as coisas deste esporte, e no dia que o produto futebol não valer nada a televisão será a primeira a dar um chute no futebol e deixar todo o trabalho de reestruturação para os clubes e para as confederações nacionais. Só tem um detalhe: os Caminhos do futebol serão eternos e Caminhos das Índias terminam semana que vêm 

Super Clássico

 

Na noite de sábado estarão em campo duas seleções representando o que existe de melhor no futebol mundial, em Rosário, Argentina e Brasil, além de brigar por uma vaga para o Mundial da África em 2010, escreveram mais um capitulo de uma história quase centenária, pois em quase 95 anos Brasil e Argentina fizeram jogos maravilhosos, que estão vivos na memória do torcedor. O primeiro confronto entre essas duas Seleções ocorreu no dia 20 de Setembro de 1914, e a maior característica desses confrontos é o equilíbrio, pois em 92 partidas o Brasil venceu 36 e perdeu 33, e o que mais impressiona no atributo igualdade é que nestes 92 jogos o Brasil sofreu um gol a mais do que marcou, ou seja, marcou 145 e sofreu 146.

Além da rivalidade entre as Seleções, temos a eterna provocação dos argentinos a respeito de Maradona ser melhor do que Pelé. Dizer que Maradona é melhor do que Pelé é um grande exagero, Pelé foi o rei o futebol (o maior de todos), o título de príncipe para o Diego Maradona está muito bom, porém esse título para Diego Maradona serve apenas para as coisas que ele construiu dentro das quatro linhas que delimitam o campo de jogo, pois como treinador o argentino tem muito a fazer e apresentar. No sábado teremos um encontro curioso entre os dois treinadores, Dunga e Maradona têm vidas semelhantes como técnicos, para simplificar, ambos ainda têm muitas coisas para demonstrar como treinador, se bem que o Dunga vêm sendo uma agradável surpresa no comando da Seleção Brasileira e acho que o Diego ainda não mostrou a que veio.

Colocada para fora todas as coisas da história e das provocações a respeito de Brasil e Argentina, temos no sábado um confronto de fundamental importância para as duas equipes, principalmente para os argentinos, que podem terminar essa rodada das eliminatórias em uma situação extremamente complicada, pois os argentinos estão atualmente na quarta posição na disputa sul-americana para a Copa do Mundo de 2010, e com dois revezes nesta rodada das eliminatórias (contra o Brasil em casa e contra o Paraguai fora) a Argentina pode ter a sua classificação para a Copa completamente complicada, já o Brasil líder das eliminatórias sul-americana só está na espera da data e do local para carimbar o seu passaporte para a África, continuando a escrita brasileira de ser a única nação a estar em todas as Copas do Mundo deste 1930.

Certamente teremos um grande jogo de futebol no sábado, a única coisa lamentável desta partida é o dia e a horário dela, pois a pressão da televisão joga este clássico do futebol mundial para um sábado às 22 horas, ou melhor, para sábado depois da novela da Globo. Até quando a Televisão vai determinar os caminhos do futebol? Certamente esse interesse da televisão vai acabar no dia que o torcedor perder a paciência nos esses horários malucos. O produto futebol vale comercialmente muita coisa, porém a televisão está desvalorizando as coisas deste esporte, e no dia que o produto futebol não valer nada a televisão será a primeira a dar um chute no futebol e deixar todo o trabalho de reestruturação para os clubes e para as confederações nacionais. Só tem um detalhe: os Caminhos do futebol serão eternos e Caminhos das Índias terminam semana que vêm

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 Temas que agradavam Jânio Quadros

 FOTO VALENTE(*) Nelson Valente

 No ano derradeiro em que Jânio foi Presidente, ele foi inquirido por centenas de jornalistas nacionais e estrangeiros, através do rádio, do cinema, da televisão e da imprensa. Respondeu a resmas de questionários, os quais se estendiam, de intrincadas questões filosóficas, econômicas e financeiras, até seus hábitos pessoais.

         Proferiu centenas de discursos em universidades, sindicatos, associações de classe, ruas e praças. Foi uma terrível maratona física e intelectual.

         Os temas agradavam Jânio e foram estes:

 Política Interna

 -                      “Não foi inadvertidamente que disputei uma cadeira de Deputado federal, pelo meu Paraná, sob a legenda do Partido Trabalhista Brasileiro.

Fi-lo, ciente da implicação ideológica, inclusa no gesto. Estou convencido de que a era do liberalismo econômico jaz sepulta nas cinzas da Primeira Guerra Mundial deste século. O aprimoramento técnico da indústria, a mecanização da agricultura, o processo de acúmulo e de concentração de capitais, criaram para as nações a necessidade de interferir no setor econômico, orientando, ordenando, contendo e harmonizando interesses que se fizeram conflitantes.

A extensão do extermínio de 1914, mobilizando imensas massas humanas, nos vários continentes, para um sacrifício simultaneamente estúpido e heróico, deu-lhes com a consciência da precariedade da vida, a noção, sempre mais arraigada, de que todos tem direito aos benefícios da civilização e do progresso.

Às reivindicações individuais e de classe correspondeu, para o Estado, a contingência de eliminar ou de arbitrar os atritos.

A revolução industrial de nossa época, gerando riquezas em ritmo alucinante, completou os termos da equação sócio-econômica que demanda desdobramento e solução.

Capital é trabalho acumulado. Quem o acumula, entretanto, não é o trabalhador. Não o desfruta, pois, quem precipuamente o cria.

Tenho, de igual passo, afirmado, reinteradamente, que sou favorável à livre iniciativa, com as restrições impostas pela segurança da nação e pelo interesse social.

Reitero e ratifico a minha fidelidade a esses princípios.

Não sou liberal, nem sou marxista.

A terminologia política a quem muitos continuam apegados, na velha Europa, não tem mais o sentido lógico que assumiu em certa fase da história das idéias. Os conceitos que alicerçaram esquerda e direita, na fase que culminou com o embate entre fascismo e bolchevismo, mudaram de natureza, em conseqüência da Segunda Guerra Mundial e da explosiva evolução que se opera em nossos dias, e que também a nós nos abarca.

De um lado, vemos tradicionais partidos socialistas da Inglaterra e da Alemanha, revendo postulados fundamentais de seus programas, mas, de outro lado, assistimos – sem que os preceda um ideário nítido – a saltos sociais da envergadura dos operados no Egito, na Índia, em Cuba, na África.

A mentalidade política se refaz ao empurrão dos acontecimentos, e destes deverá resultar uma nova definição para velhos problemas.

Nem mesmo as supostas “cortinas” separam homens e não-homens, e a impossibilidade de uma direção monolítica para os povos se evidencia na rebelião iugoslava, na insurreição húngara, na afirmação de independência da Polônia, no atrito entre a China e a União Soviética, com o corolário das crises que proliferam nas organizações partidárias internacionais que se inspiram no exemplo desses países.

Sou democrata, adepto do sistema representativo da interdependência dos poderes, de eleições secretas e livres, dos mandatos a prazo determinado, dos intangíveis direitos individuais, da liberdade de pensamento. E me confesso cristão, católico apostólico romano.

Para mim, a ordem social sobrepõe-se à ordem econômica; para mim, o homem é  primeira e principal afirmação da sociedade.

Não acredito em ditaduras.     

As exercidas em nome de uma classe, traem-lhe as prerrogativas mais elementares. Negam-lhe a liberdade de trabalho. Destroem-lhe os sindicatos. Proíbem-lhe a luta pelo acesso legítimo. Convertem em crime o que é de direito. Cerceiam a livre expressão do pensamento. Suprimem as assembléias. Desmancham a família. Subtraem, ao convívio humano, o calor da amizade e a ternura da confiança.

As ditaduras exercitadas a pretexto de interesse nacional cometem as mesmas ferocidades, incidem em violências idênticas.

Abomino o terror em que ambas se esteiam, o dogmatismo que as informa, a cruel inumanidade em que se comprazem.

Atenho-me, como candidato à Presidência da República, nesta época de transição de que participamos, a normas gerais enquadradas nas experiências que outros povos realizam, e que se situam sob o signo do humanismo.

Povo jovem e dinâmico, com direito a aspirar a uma posição de relevo no mundo moderno, não podemos deixar de simpatizar com os outros povos que se encontram em posição próxima da nossa, e que lutam pela própria independência e pelo progresso social.

Não sou o único a não ter, hoje, um rótulo estritamente ortodoxo para a posição em que me situo.

O século XX tem sido um crematório implacável de filosofias políticas, e é preciso, para que encontremos o justo caminho, que, servidos por mente arejada, animados de ideais amplos e generosos, guiados por espírito de luta e afirmação, dispostos a encarnar a soberania da Nação, ávidos de liberdade e só entendendo a política em função do amor ao povo – não nos metamos, por vontade própria, em prisões que por toda a parte estão sendo arrebentadas.

Presidente da República, não saberia, em nenhuma hipótese, envidar os destinos da Pátria, em fórmulas obsoletas ou em experiências perigosas.

A prudente atitude de Alberto Pasqualini, diante dos interesses contraditórios que o Estado precisa compor, se me afigura do melhor alvitre, nesta vertente da história.

O aparente ecletismo desta posição não resulta de vontade minha, mas de conjuntura internacional. Ela tem como objetivo primeiro o resguardo dos mais legítimos interesses de nossa comunidade, que deve participar e beneficiar-se da mutação que se opera na face do mundo, sem desnecessariamente isolar-se ou perder-se por descaminhos que a nada conduzem.

Neste particular, louvo a sabedoria do legislador constituinte.

Aliás, outras tarefas, mais imperativamente imediatas, reclamam a atenção do homem público brasileiro.

Precisamos arrancar esta Nação, sem perda de tempo, do atoleiro do subdesenvolvimento que lhe entrava o progresso.”

Desenvolvimento

-                      “À geração contemporânea coube a indeclinável incumbência de remover barreiras.

         Este é o instante em que o Brasil precisa firmar-se definitivamente, como nação e como cultura, no mundo ocidental.

         O papel que nos está reservado na América cresce de importância cada dia, diante da paisagem política que se conturba nas lindes continentais.

         O Brasil não deve mentir à esperança de outros povos. Mas, via de conseqüência, não pode mentir à esperança de seus próprios filhos. Não recuaremos, porque chegamos até aqui. Não recuaremos, porque estamos dispostos a todos os sacrifícios para atingir o completo desdobramento da potencialidade do nosso solo e subsolo e da capacidade da nossa gente.

         As dificuldades naturais de desbravamento de um País de porte gigantesco como o nosso, só podem ser superadas mediante a aplicação sistemática dos seus recursos, em obediência a uma hierarquia de prioridades. A ausência da Administração nos problemas da educação e da saúde, agravando, criminosamente a grande chaga da nossa atualidade, realizou, também, um dos maiores escândalos dos nossos dias.

         Ao governo não lhe será lícito, a qualquer título, ainda que sonoro ou pomposo, procrastinar o atendimento das necessidades basilares de saúde, educação e cultura.

         A Federação deverá constituir uma expressão vigorosa e harmônica no seu conjunto, elidindo-se as fundas arritmias de seu crescimento.

         É imperioso renivelar vastas áreas demográficas do País em que o poder aquisitivo é semi-asiático e, o padrão de vida, por conseqüência, jaz em escalões que não se ajustam à dignidade humana. a fome, o analfabetismo e as endemias estão ainda presentes, em várias regiões, corroendo a fibra da raça.

         A tomada de consciência destes problemas, pela opinião pública, representa um passo que se dá na solução deles. Sabemos o que somos e sabemos o que queremos ser.

         Com este propósito a incandescer o nosso entusiasmo e a redobrar as nossas forças, implantaremos a moralidade administrativa. Sanearemos a moeda. Equilibraremos o orçamento público, proscrevendo os gastos supérfluos ou adiáveis. Conteremos a inflação que corrompe os costumes e flagela os humildes em benefício de poderosos.    

         Daremos à agricultura e à pecuária, que tudo nos tem dado para ser o que somos, tratamento generoso de assistência técnica e financeira, a fim de que prossigam com vigor renovado na marcha do nosso enriquecimento.

         Para a indústria em geral e, sobretudo, a indústria de base, para o comércio interno e o de exportação, alinharemos todos os estímulos de que carecem, na sua missão fecunda de produzir e distribuir riquezas.

         Aos trabalhadores além da aposentadoria e assistência médico-hospitalar dos Institutos, tornadas efetivas, além das vantagens de uma previdência social escoimada de compadrio, de filhotismo, de corrupção, tranqüilidade mediante a garantia de salários hábeis a mantê-los, e a suas famílias, em padrões crescentes de bem-estar, participando da evolução do País.

         As tarefas de soerguimento econômico, de saneamento financeiro, de recuperação do homem, de expansão industrial, de amparo à agricultura, de revisão dos transportes, de desenvolvimento das fontes de energia, o cumprimento, em suma, das diretrizes do governo, anunciadas em Recife, nos mobilizarão, de imediato.”

 Política Externa

-                      “Emprestaremos desusado relevo ao comércio internacional, abrindo as portas do Brasil para o mundo, numa afirmação categórica de que somos um povo livre.

         Povo livre, que, livre de medo, conduz o seu destino.

         Cumpriremos, agora, a decisão do Príncipe Regente, baixada desde 28 de janeiro de 1808.

         A Nação, entretanto, tem deveres para com a América.

         O momento é oportuno para que se fique sabendo o que proponho e o que pretendo  para as nossas relações com os demais povos americanos. Já o afirmei, solenemente. Repito-o, agora, mais uma vez.

         Julgo não haver outro instrumento de ação política, no

âmbito continental, senão a Organização dos Estados Americanos. Aí, e só aí, devem ser solucionadas as eventuais controvérsias entre nações irmãs.

         O Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, a Carta da Organização dos Estados Americanos e o Pacto das Soluções Pacíficas de Bogotá conformam o nosso sistema de segurança coletiva, consagrado pela Carta das Nações Unidas. Se avançamos na estruturação político-jurídica do Continente, resta ainda um campo enorme a conquistar: o da nossa expansão econômica. Só ela libertará os povos latino-americanos da miséria, conseqüência do dramático problema do subdesenvolvimento. A este respeito não pode haver contemporizações. A América Latina tem pressa e tem consciência de sua força.

         Pretendo, pois, apoiar a Operação Pan-Americana, que visa a integração econômica, cultural e política de nossas Pátrias em um quadro de planejamento harmonioso de execução possível em breve prazo.

         É evidente que nossos esforços resultarão improfícuos, se não contarmos com a cooperação e compreensão dos nossos irmão do Norte, por vezes imperfeitamente esclarecidos sobre a necessidade imperiosa, incontornável de eliminação de tantas áreas de pobreza.

         Concorre, para isso, talvez a concepção unilateral de que só ao capital privado compete papel básico na luta em prol do futuro latino-americano.

         Tal não se dá.

         O deslindamento destas questões demanda a cooperação de Estado a Estado. Exige-a. Não é outra a causa de a Operação Pan-Americana alicerçar-se numa política global do hemisfério. Os esquemas de ajuda dos Estados Unidos remanescerão ineficazes, se não forem substituídos os princípios que os norteiam.

         Daí as crises periódicas que afetam o Continente.

         A reunião de Bogotá, neste particular, teve os contornos e as meias tintas promissoras de uma aurora inesperada. Nela, falamos a linguagem franca e cordial dos que, efetivamente, se querem entender. Aguardaremos, contudo, antes de mais largos entusiasmos, os seus resultados práticos.

         Nação independente, soberana, o Brasil prescinde da liderança internacional de qualquer potência. Sabe onde estão os seus direitos e os seus interesses. Não os aliena. Não os sub-roga.

         Mas, e por igual, fiel às suas tradições, aos seus compromissos, é  avalista determinado e espontâneo da intangibilidade do Continente. Aqui, ninguém interferirá.

         Não há lugar, na América, para o exercício de curatelas européias ou asiáticas, a nenhum título.

         Sempre soubemos, nesta comunidade de Nações livres, solucionar as pendências emergentes, diria inevitáveis, sem que tais desacordos justificassem malignas intervenções extracontinentais.

         Não as concebo, nem as tolero. Insisto, entretanto, em que a melhor, quiçá a única maneira de exorcizarmos os fantasmas que rondam o Continente, está na imediata efetivação da OPA.

         Povos economicamente desenvolvidos, libertos da miséria e do medo, aptos a se realizarem, não teme, e por isto mesmo, não agridem.

         Tarda, por outro lado, que fortaleçamos as nossas relações comerciais, para não falarmos nas culturais, com os países da Europa e da Ásia.

Temos caminhado para trás, nos nossos processos de intercâmbio e de trocas, suplantados até pelo atilamento e pela tenacidade de diplomacias mais bisonhas, embora mais resolutas do que a nossa.

         O mundo africano, hoje desperto, ao qual venho aludindo insistentemente, desde os pródromos desta campanha, reclama, por sua vez, a nossa atenção devotada!

         Não me alongarei sobre tema tão amiúde por mim ventilado. Deploro que os fatos estejam confirmando os meu vaticínios. Continuo, de resto, a acreditar que o Brasil é o mediador melhor qualificado para as jovens democracias africanas.”

-                      “Meus senhores.

         Dez dias nos separam da eleição do futuro Presidente da República.

         Tenho consciência de que conduzi a campanha, como me propusera, num plano de rigorosa elevação.

         Assim procedendo, não fiz favor. Cumpri, apenas, a minha obrigação tal como a entendo.

         Seria insincero, se não lhes confessasse o quanto me custou, por vezes, impor silêncio ao ímpeto de revide, de repulsa à ofensa não provocada.

         Logrei fazê-lo.

         Os pleitos devem aprimorar a prática do regime. E um povo não se educa com o espetáculo deprimente e desprimoroso da permuta de injúrias entre opostulantes à primeira  magistratura da Nação.

         Não quero vencer nas urnas porque os meus competidores sejam ineptos ou indignos. Quero vencer sim, mas se o povo julgar que o meu passado de administrador me habilita ao exercício do mandato maior. Quero vencer, sim, mas se o povo achar que as soluções por mim preconizadas, para os problemas nacionais, sobrelevam as dos outros candidatos. Quero vencer, sim, mas por força dos valores positivos. Nunca, pela dos negativos.

         Esta nação não precisa propor-se moratória moral, concordata política, falência de qualquer ordem ou natureza.

         É uma grande Nação, tão afortunada nas suas riquezas morais, quanto no inesgotável patrimônio ético-espiritual da sua gente.

         Fui injuriado, difamado e caluniado, nestes últimos meses. Sei que isto é da mecânica das democracias.

         Deploro que não tenham sabido respeitar a honra do cidadão, as fronteiras sagradas do meu lar. É contingência a que se sujeitam todos os candidatos, na medida da educação política dos adversários.

         Não a maldigo. Mal próprio do regime democrático, só é possível no amplo quadro das liberdades democráticas. Por mais amargos que sejam os percalços deste regime, eu o prefiro, tão estranhamente quanto possível ao cérebro e ao coração do homem, a qualquer outro já experimentado.

         As amarguras pessoas, entretanto, estou certo de que não se depositarão como ressaibos perenes ao termo da porfia eleitoral. A alma sempre se refaz dos agravos que não merece.

         Às vésperas do pleito, resta-me uma última energia para estas palavras a todo o País.

         Confio em que o clima de garantias e respeito às liberdades não sofra atentados. A opinião pública  já não os toleraria. Pelos seus órgãos de expressão, ela está vigilante.

         Não tenho razões para descrer do papel que toca aos responsáveis pela ordem pública. Exprimo, ao mesmo tempo, a minha confiança nas Forças Armadas, conscientes do papel que lhes compete.

         Quero crer que o povo compareça às urnas sem sombra de ameaça ao sagrado dever cívico que lhe toca neste momento.

         Pela pureza do rito institucional responderá a Justiça Eleitoral, que honra os nossos foros de País civilizado.

         Sei que, mais uma vez, a soberania popular livremente expressa, me convocará, dentro em pouco, para o exercício de árdua missão. Estou consciente da responsabilidade do alto mandato que a vontade da nação me entregará. Mais uma vez, espero em Deus que não a decepcionarei.

         O que me preocupa e inquieta, nesta hora undécima dos nossos comícios é a ajudácia, que alguns ousaram de atirar estados federados uns contra outros, na caça de sufrágios fugidios.

         Por que fazê-lo?

         Por que intrigar províncias irmãs?

         Acaso o milagre da unidade nacional não é mais importante do que as nossas modestas personalidades?

         Não quero, porém, converter esta festa que confraterniza a crítica e a ação numa crítica à ação dos meus adversários.

         As urnas e o futuro nos julgarão, a eles e a mim.

         O que quero, ao cabo destas singelas confidências, é exortá-los a acreditar no Brasil e nos brasileiros, recordados de que a Pátria é eterna e nós, os indivíduos, somos transitórios.”

 (*)é professor universitário, jornalista e escritor

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freudEntrevista com Freud – 1926

O VALOR DA VIDA*

Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud estava essa entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1970. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut número especial do “Journal of Psychology” de Nova Iorque, em 1957. É esse texto que aqui reproduzimos, provavelmente, pela primeira vez em português.
 
Tradução de Paulo Cesar Souza
 
ENTREVISTA

“Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade” — Sigmund Freud

Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.
 
Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.
 
Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.
 
- Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.
 
Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.
 
- Por que – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com suas agruras, chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas, a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?
 
- O senhor teve a fama, disse que sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.
 
- Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra, porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais. A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não é virtude.

- Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?

- Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não é certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.

Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.

- Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.
 
- Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?

- Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.

- O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?

- Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?

- Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?

- Sinceramente, não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar à vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro.
Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

- Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

- É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.
Do mesmo modo que um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica.
O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A morte é a companheira do amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro, além do princípio do prazer.
No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão.
O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.

- Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartmann.

- A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte.
Podemos entreter a fantasia de que a morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a morte, não fosse por seu aliado dentro de nós. Neste sentido, acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda morte é suicídio disfarçado.

Estava ficando frio no jardim. Prosseguimos a conversa no gabinete. Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.

- Em que o senhor está trabalhando?

- Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não-médicos.
A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopolizá-la.

- O senhor teve muito apoio dos leigos?

- Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.

- O senhor está praticando muito psicanálise?

- Certamente. Neste momento, estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente. Minha filha também é psicanalista, como você vê…
 
Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud, acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxônicas.

- O senhor já analisou a si mesmo?

- Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.

- Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristã. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos faze r com preender. Tout compri c’est tout pardonner.

- Pelo contrário, esbravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu; compreender tudo não é perdoar tudo.
A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não é, de maneira alguma, um corolário do conhecimento.

Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado; por que ele não perdoava sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Uma herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.

- Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, minha realização, é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.

Fiquei algo desapontado com esta observação. Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças, que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente, a sua indignação, a sua honesta ira, tornava-o mais atraente como ser humano. Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!

- Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!

- Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas
com freqüência são também a fonte de nossa força.

- Imagino, observei, quais seriam os meus complexos!

- Uma análise séria, respondeu Freud, dura ao menos um ano. Pode durar mesmo dois ou três anos. Você está dedicando muitos anos de sua vida  à “caça aos leões”.
Você procurou sempre as pessoas de destaque para a sua geração: Roosevelt, o Imperador, Hindenburg, Briand, Foch, Joffre, George Bernard Shaw…

- É parte do meu trabalho.
 
- Mas é também sua preferência. O grande homem é um símbolo. A sua busca é a busca do seu coração. Você está procurando o grande homem para tomar o lugar do seu pai. É parte do seu “complexo do pai”.

Neguei veementemente a afirmação de Freud. No entanto, refletindo sobre isso, parece-me que pode haver uma verdade, inda não suspeitada por mim, em sua sugestão casual. Pode ser o mesmo impulso que me levou a ele.

- Gostaria, observei após um momento, de poder ficar aqui o bastante para vislumbrar o meu coração através do seus olhos. Talvez, como a Medusa, eu morresse de pavor a ver minha própria imagem! Entretanto, receio ser muito informando sobre a psicanálise. Eu freqüentemente anteciparia, ou tentaria antecipar suas intenções.

- A inteligência num paciente, replicou Freud, não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes facilita o trabalho.

Neste ponto, o mestre da psicanálise diverge de muitos dos seus seguidores, que não gostam de excessiva segurança do paciente sob o seu escrutínio.

- Às vezes imagino, questionei, se não seríamos mais felizes se soubéssemos menos dos processos que dão forma a nossos pensamentos e emoções. A psicanálise rouba a vida do seu último encanto, ao relacionar cada sentimento ao seu original grupo de complexos. Não nos tornamos mais alegres descobrindo que nós todos abrigamos, o criminoso e o animal.

- Que objeção pode haver contra os animais? replicou Freud. Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana.

- Por quê?

- Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico.
O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado.
A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe.
As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura.
Muito mais desagradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão, acrescentou Freud pensativamente, lembram-nos os heróis da Antiguidade. Talvez seja essa a razão porque inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis antigos, como Aquiles e Heitor.

- Meu cachorro, disse eu, é um dobermann Pinscher, chamado Ajax.

Freud sorriu.

- Fico contente de que não possa ler. Ele, certamente, seria um membro menos querido da casa, se pudesse latir sua opinião sobre os traumas psíquicos e o complexo de Édipo!

- Mesmo o senhor, Professor, sonha a existência complexa demais. No entanto, parece-me que o senhor seja, em parte, responsável pelas complexidades da civilização moderna. Antes que o senhor inventasse a psicanálise não sabíamos que nossa personalidade é dominada por uma hoste beligerante de complexos muito questionáveis. A psicanálise torna a vida um quebra-cabeças complicado.

- De maneira alguma, respondeu Freud. A psicanálise torna a vida mais simples. Adquirimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise reordena um emaranhado de impulsos dispersos, procura enrolá-los em torno do seu carretel . Ou, modificando a metáfora, ela fornece o fio que conduz a pessoa fora do labirinto do seu inconsciente.

- Ao menos na superfície, porém, a vida humana nunca foi mais complexa. E a cada dia alguma nova idéia proposta pelo senhor ou por seus discípulos torna o problema da condução humana mais intrigante e mais contraditório.

- A psicanálise, pelo menos, jamais fecha a porta a uma nova verdade.

- Alguns dos seus discípulos, mais ortodoxos do que o senhor, apegando-se a cada pronunciamento que sai da sua boca.

- A vida muda. A psicanálise também muda, observou Freud. Estava apenas no começo de uma nova ciência.

- A estrutura científica que o senhor ergueu me parece ser muito elaborada. Seus fundamentos – a teoria do “deslocamento”, da “sexualidade infantil”, do “simbolismo dos sonhos”, etc. – parecem permanentes.

- Eu repito, porém, que nós estamos apenas no início. Eu sou apenas um iniciador. Consegui desencavar monumentos soterrados nos substratos da mente. Mas ali onde eu descobri alguns templos, outros poderão descobrir continentes.

- O senhor ainda coloca a ênfase sobretudo no sexo?

- Respondo com as palavras do seu próprio poeta, Walt Whitman: “Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo” (“Yet all were lacking, if sex were lacking”). Entretanto, já lhe expliquei que agora coloco ênfase quase igual naquilo que está “além” do prazer – a morte, a negociação da vida.
Este desejo explica porque alguns homens amam a dor – como um passo para o aniquilamento! Explica porque os poetas agradecem a “Whatever gods there be, /That no life lives forever /And even the weariest river /Winds somewhere safe to sea”. (“Quaisquer deuses que existam / Que a vida nenhuma viva para sempre / Que os mortos jamais se levantem / E também o ri o mais cansa do / Deságue tranqüilo no mar”)

- Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, comentei, mas à diferença do senhor, ele considera o sexo desinteressante.

- Shaw, respondeu Freud sorrindo, não compreende o sexo. Ele não tem a mais remota concepção do amor. Não há um verdadeiro caso amoroso em nenhuma de suas peças.
Ele faz brincadeira do amor de Júlio César – talvez a maior paixão da história. Deliberadamente, talvez maliciosamente, ele despe Cleópatra de toda grandeza, reduzindo-a a uma insignificante garota.
A razão para a estranha atitude de Shaw diante do amor, para a sua negação do móvel de todas as coisas humanas, que tirou de suas peças o apelo universal, apesar do seu enorme alcance intelectual, é inerente à sua psicologia.
Em um de seus prefácios, ele mesmo enfatiza o traço ascético do seu temperamento. Eu posso ter errado em muitas coisas, mas estou cer to de que não errei ao enfatizar a importância do instinto sexual.
Por ser tão forte, ele se choca sempre com as convenções e salvaguardas da civilização. A humanidade, em um espécie de autodefesa, procura negar sua importância.
Se você arranhar um russo, diz o provérbio, aparece o tártaro sob a pele. Analise qualquer emoção humana, não importa quão distante esteja da esfera da sexualidade, e você certamente encontrará esse impulso primordial, ao qual a própria vida deve a perpetuação.

- O senhor sem dúvida foi bem sucedido em transmitir esse ponto de vista aos escritores modernos. A psicanálise deu novas intensidades à literatura.

- Também recebeu muito da literatura e da filosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É surpreendente até que ponto a sua intuição prenuncia as novas descobertas. Ninguém se apercebeu mais profundamente dos motivos duais da conduta humana, e da insistência do princípio do prazer em predominar indefinidamente.
O Zaratustra diz: “A dor /Grita: Vai!/ Mas o prazer quer eternidade / Pura, profundamente eternidade”.
A psicanálise pode ser menos amplamente discutida na Áustria e na Alemanha que nos Estados Unidos, a sua influência na literatura é imensa, porém.
Thomas Mann e Hugo von Hofmansthak muito devem a nós.
Schnitzler percorre uma via que é, em larga medida, paralela ao meu próprio desenvolvimento. Ele expressa poeticamente o que eu tento comunicar cientificamente. Mas o Dr. Schnitzler não é apenas um poeta, é também um cientista.

- O senhor, repliquei, não é apenas um cientista, mas também um poeta. A literatura americana, continuei, está impregnada da psicanálise. Hupert Hughes, Harvrey O’Higgins e outros fazem-se de seus intérpretes.
É quase impossível abrir um novo romance sem encontrar referência em psicanálise.
Entre os dramaturgos, Eugene O’Neill e Sydney Howard têm profunda dívida para com o senhor. The silver cord, por exemplo, é simplesmente uma dramatização do complexo de Édipo.

- Eu sei, replicou Freud, e apresento o cumprimento que há nessa constatação. Mas tenho receio da minha popularidade nos Estados Unidos. O interesse americano pela psicanálise não se aprofunda. A popularização leva à aceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem as frases que aprendem no teatro ou na imprensa.
Pensam compreender algo da psicanálise, porque brincam com seu jargão. Eu prefiro a ocupação intensa com a psicanálise, tal como ocorre nos centros europeus.
A América foi o primeiro país a reconhecer-me oficialmente. A Clark University concedeu-me um diploma honorário quando eu ainda era ignorado na Europa. Entretanto, a América fez poucas contribuições originais à psicanálise.
Os americanos são julgadores inteligentes raramente pensadores criativos.
Os médicos nos Estados Unidos, e ocasionalmente também na Europa, procuram monopolizar para si a psicanálise. Mas seria um perigo para a psicanálise deixá-la exclusivamente nas mãos dos médicos. Pois uma formação estritamente médica é, com freqüência um empecilho para o psicanalista. É sempre um empecilho, quando certas concepções científicas tradicionais ficam arraigadas no cérebro estudioso.

Freud tem que dizer a verdade a qualquer preço! Ele não pode obrigar a si mesmo a agradar a América, onde está a maioria de seus admiradores.
Apesar da sua intransigente integridade, Freud é a urbanidade em pessoa. Ele ouve pacientemente cada intervenção, não procurando jamais intimidar o entrevistador. Raro é o visitante que deixa sua presença sem algum presente, algum sinal de hospitalidade.
Havia escurecido. Era tempo de eu tomar o trem de volta à cidade que uma vez abrigara o esplendor imperial dos Habsburgos.
Acompanhado da esposa e da filha, Freud desceu os degraus que levavam do seu refúgio na montanha à rua, para me ver partir. Ele me pareceu cansado e triste, ao dar o seu adeus.

- Não me faça parecer um pessimista,. ele disse após o aperto de mão. Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso. Não, eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz – ao menos não mais infeliz que os outros.

O apito de meu trem soou na noite. O automóvel me conduzia rapidamente para a estação. Aos poucos o vulto ligeiramente curvado e a cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram na distância.

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15 respostas

7 01 2009
João Bortolin

Professor Valente:
Sempre fui admirador da inteligência do Presidente Jânio Quadros e leio tudo sobre o mesmo.
Não me lembro o dia, mas, penso que foi próximo a um dia dos namorados, através do Diário Oficial do Município de São Paulo, quando de seu último mandato de Prefeito, 86\88, êle escreveu um texto dedicado à Dona Eloá onde descreve suas qualidades e ao final diz mais ou menos: “Jovens há outras Eloás por aí encontrem-nas”.
Gostaria imensamente de ter esse escrito.
Parabéns pelos seus artigos.
João Bortolin

9 01 2009
Nelson Valente

Caro João Bortolin,

tenho o texto e vou enviar ao José Nello para publicar.
Dia 25/01 vou enviar texto inédito sobre Jânio ( se José Nello, permitir!).
Abraços e disponha,
Nelson Valente

Obs.: Quando Jânio conheceu o engenheiro Mário Covas ( descoberta política de Saulo Ramos), disse: – ” Espero que o senhor não tropece em seu nome.”

29 01 2009
MARIO LOPOMO

A final da taça libertadores de 1960 (não sei se já tinha esse nome) foi disputada entre Palmeiras x Penarol do Uruguai. O primeiro jogo realizado em Montevidéu teve a vitória do Penarol por 1 x 0, num lance infeliz do Djalma Santos ao final da partida que podia dar um bico e jogar a bola para escanteio ou lateral, mas não o fez porque era muito técnico, e foi infeliz na jogada.
No jogo seguinte no Pacaembu, ouve empate de 1×1, num jogo emocionante em que o gol do Penarol marcado por Spencer furou a rede e ficou aquela duvida se foi gol ou não.
Mas, foi, pois já tínhamos o VIDEO TAPA (vídeo teipe) que mostrou que a bola rompeu o cordel da rede pelo lado de dentro. Julinho empatou, mas o Palmeiras não conseguiu marcar o segundo, apesar de ter o total domínio da partida. O Penarol foi o primeiro campeão.

1 02 2009
MARIO LOPOMO

Pedro Nastri.
O prefeito José Carlos Figueiredo Ferraz, foi o unico que ficou na contra mão do Slogam da cidade de São Paulo. Um dia corajosamente disse: – São Paulo precisa parar de crescer. Cairam de pau em cima dele. Mas ele tinha rasão. Se tivessem obedecido aquele homem que olhava para frente como se fosse um vidente, talvez São Paulo fosse outra cidade. O que ele queria dizer era que São Paulo tinha que parar de crescer demograficamente. Caso isso tivesse acontecido quem sabe muitos mal educados que aqui vieram pensando que São Paulo era um lixo e, o lixo pudesse ser jogado nos Bueiros, no meio da rua, como se aqui fosse a casa de onde vieram, a nossa cidade fosse um pouco mais limpa.

21 05 2009
Rubens Ramon Romero

Tutu não poderá procurar o “tutu”

As autoridades judiciárias brasileiras negaram a oportunidade de “Tutu”, Dirce Maria do Valle Quadros, filha e única herdeira do patrimônio deixado pelo ex-presidente da República, Jânio da Silva Quadros de obter informações a respeito de possíveis depósitos bancários existentes na Suíça, em nome do ex-presidente. O advogado de Dirce Maria, no trâmite do processo de inventário, requereu o envio de uma carta rogatória (comunicação entre a Justiça de países diferentes), Entretanto, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP) indeferiu a requisição com base na falta de jurisdição da autoridade brasileira para atuar em elaboração de inventário e partilha de bens de brasileiros localizados no estrangeiro. Não se sabe se ela irá recorrer, ou mudar de banca advocatícia, procurar Dr. Ricardo Tosto. um dos advogados mais famosos de São Paulo, defensor a vários anos do Deputado Paulo Maluf.

9 08 2009
Mário Lopomo

Não acho que a lei anti-fumo é Nazista. Se a lei proibisse fumar em todos os lugares, ai sim essa tese seria verdade. A lei proíbe fumar em recinto fechado. Quem quer fumar pode fazer em lugar aberto, assim não prejudica ninguém. Sou um ex. fumante, mas não sou aquele chato que fica irritado porque alguem esta fumando a seu lado. Mas que é desagradável levar uma baforada de cigarro na cara isso é verdade. Portanto acho que o professor Nelson exagerou.

11 08 2009
Nelson Valente

Caro Lopomo, não há exagero nenhum. É inconstitucional ! Rasgue a Constituição Federal e jogue-a no lixo. O governo do Estado, criou duas espécies de seres humanos com a Lei Antifumo: fumante e não fumantes. É DISCRIMINAÇÃO ! O exagero fica por conta de sua generosidade. O governo deveria se preocupar com as bebidas alcoólicas que são vendidas para adolescentes. Drogas que são vendidas nas portas da escolas. A Lei têm viés nazista, sim senhor. Estou afirmando e não estou achando, NADA. E a poluição? Não vá dizer que é exagero, por favor!

11 08 2009
Nelson Valente

Caro Lopomo, No caso da lei antifumo, é uma ideia intragável e nazista. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a descriminalização da posse de maconha para uso pessoal, durante evento da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, em São Conrado. É exagero? Um quer apagar o cigarro e o outro quer o uso da maconha. Rasguem a Constituição!

16 08 2009
Mário Lopomo

Nelson. Tudo bem. Você tem sua opinião e eu tenho a minha. As demais pessoas têm outra opinião a respeito. Agora rasgar a constituição é chamar de novo a ditadura. É isso que você quer? Um regime totalitário, em que apenas um manda? A lei antifumo é uma das pequenas ditaduras como diz nosso amigo José Paulo de Andrade com muita propriedade.
Uma das pequenas ditaduras eu aceito, mas nazismo não. Jânio tentou governar sozinho em 1961 e se deu mal, o que proporcionou o golpe militar de 1964. Se rasgarmos a constituição vira outro golpe. Você quer outro?

17 08 2009
Nelson Valente

Caro Mário Lopomo, apenas uma pergunta: o senhor votou para deputado constituinte? Eles ( deputados) se fizeram Constituintes. A Constituição Federal de 1988 é do senhor Ulysses Guimarães, ela será reformada de acordo com as circunstâncias ou por um ato de violência e, acrescente a Constituição Federal, em suas anotações como boi/vaca. Qual é a origem da palavra DITADURA?
Caro Mário Lopomo, por favor, veja a sua fonte pesquisada: primária ou secundária. Abraços, Nelson Valente

17 08 2009
Nelson Valente

Caro Mário Lopomo,DITADURA é uma questão SEMÂNTICA.
Abraços de quem o admira e lhe quer muito bem,
Nelson Valente

18 08 2009
Mário Lopomo

É verdade professor Nelson. A Constituição Federal de 1988 é do senhor Ulysses Guimarães Ele foi o que mais quis levar o país à democracia e formar a assembléia nacional constituinte, era o que se ouvia ele falar na televisão.
De tanto ouvir Ulisses falar em democracia, fiquei imaginando. O que será democracia na visão do Dr. Ulisses? Coincidentemente dias depois ao citar novamente a palavra democracia. Ulisses Guimarães, disse na televisão. O que é democracia? Democracia é parlamento. É debate é votação. Tanto no congresso nacional, como nas assembléias estaduais, nas câmaras municipais, como nas eleições, com o povo interferindo com seu voto. Naquele momento aqui em São Paulo, o governador Paulo Maluf, tinha enviado a assembléia legislativa, um projeto de lei que mudava a capital de São Paulo para o interior. Que causou uma polemica bem grande. Era a grande chance de se ter um ato democrático na assembléia. O debate, e a votação, tão sonhada pelo grande líder democrático. Mas como o projeto era de Maluf, e sendo assim entortou a boca do Dr. Ulisses. Ele sempre requisitado pelos jornalistas, para falar do assunto mudança da capital para o interior. Sem pestanejar ele foi claro. Se depender de mim, o PMDB fecha questão contra a mudança, e pronto. Não demorou muito aparece o senador Orestes Quércia na televisão, que rodopiando nos calcanhares, leu um comunicado do PMDB. E sendo assim… Está fechada questão contra a mudança da capital de São Paulo para o interior. Pronto. O grande democrata tinha dado a ordem.

18 08 2009
Mário Lopomo

Fico a me perguntar, que democracia é essa que o tal democrata, era presidente do PMDB, presidente a câmara, presidente da constituinte, e presidente do Brasil por traz do ex. PDS, Jose Ribamar cognominado de Sarney? Democracia requer divisão de poderes e não centralização. Que democrata era esse que como dono da situação, deixa aprovar a “cidadã” com o entulho da ditadura por dentro? Vamos parar de mesquinhez, apelidaram o homem de senhor, democracia e os idiotas acharam que era verdade. Como homem de mídia morreu, virou santo e, ficou proibido falar algo dele. Quem conheceu Ulisses Guimarães, sabia que ele era um prepotente, mandão, e que dava cartas e jogava de mão. Eu sei porque convivi junto a um amigo de trabalhos em sua residência onde democracia mesmo se chamava dona Mora. Ela sim tinha o rosto da democracia, era sorridente, amavel e não carrancuda como o grande democrata. Se não fosse aquele lamentável acidente de helicóptero ele teria mandado no Brasil e quem sabe despejado o Itamar do poder. Por falar no acidente, ele desobedeceu a vontade do piloto em não decolar por causa da forte chuva. Mandão como sempre não quis nem saber vamos com esse toró mesmo, tenho compromissos em Brasília. Deu no que deu. E lá se foram todos para debaixo da terra. Ele não, pois esta nas águas até hoje. Ulisses era bom para soltar suas frases de efeito como aquela que respondeu a Collor, em 1992. “Velho sim. Velhaco não!” Se disserem que ele foi a maior raposa da política brasileira eu concordo. E tenho dito. Ramon

7 09 2009
Rubens Ramon Romero

Prof.Mario Lopomo,

Desta vez o professor se superou,além de ter recebido seu texto em meu e-mail particular, publicou no Site.Parabéns. Necessitamos de homens corajosos no jornalismo brasileiro, jogou, além do precioso arquivo de memórias suas vísceras e ideologia política no teclado.Gostei
Parabéns pela Coragem!
Rubens

11 09 2009
JCOliveira

Repassando

ASSINO EMBAIXO TAMBÉM!!!!!

Diante da safadagem reinante, decidi enviar esta mensagem ao também bigodudo do Senado.
Um abraço.
JRC
Assunto: PARABÉNS, COMPANHEIRO!!!
Para: “Aloizio Mercadante”
Data: Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009, 23:17

Senador,

Até poucos dias atrás, sem ter sido seu eleitor, cultivava certa admiração por sua pessoa, devido a atitudes no Senado Federal, e, no episódio Sarney, de triste memória.
Cresceu minha admiração, quando você decidiu renunciar à liderança do de seu partido, no senado.
A admiração, porém, converteu-se rapidamente em asco, por sua atitude servil, depois de uma “conversinha” no Planalto.
Que vergonha!
Se você tem pai e mãe vivos, mulher e filhos, o que não estão eles pensando dessa atitude covarde, diante de todo o país?
E ainda tem a desfaçatez de, depois da indecente reviravolta, pedir a compreensão de seus eleitores (coitados!!!!), porque não poderia deixar de atender um pedido do “companheiro maior “, para continuar na liderança.
Senhor Aloizio, quando um homem de caráter, um homem de bem, como seu colega, Flávio Arns, tem conhecimento e convicção das falcatruas e bandalheiras do velho Sarney, hoje grudado na cadeira da presidência desse sórdido senado, sua atitude de repúdio é irrevogável, e não há quem o demova, nem as indecentes promessas vindas do Planalto.
Você não: foi pedir a bênção “dele” que está empenhado em passar a mão na cabeça de políticos corruptos, e deixou-se convencer.
Então, senador, se “ele, o chefe mor” lhe pedisse para cometer um suicídio a fim de salvar as pretensões desse triste, desfigurado e sujo PT, você o faria?
Pois, fique sabendo, senhor vira-cara, que sua morte política chegou, embora lhe reste uma esperança: se tivermos a infelicidade do continuísmo petista, o que Deus não há de permitir, você será, certamente, agraciado com uma embaixada em Cuba ou na Coréia do Norte ou na Venezuela ou na Rússia ou na China, onde o vermelho que não lhe enrubesceu a cara, de vergonha, continuará enchendo sua cabeça, com as idéias bolchevistas ou marxistas do partido.
Vão aqui os pêsames de quem nunca votou em você, mas convidará muitos para que o esqueçam, pois tornou-se uma vergonha nauseabunda, nesse senado que está parecendo mais um depósito de lixo do que uma casa de respeito, e que deveria ser extinto, antes que o fedor da podridão moral se espalhe pelo país todo.
José Ricardo Chaves, brasileiro de caráter que conserva, em quaisquer circunstâncias, sua formação moral!

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